A tempestade e os campos verdejantes. Uma construção continuamento conturbada. O pôr-do-sol relanceado de êxtase no horizonte redesenhado por minhas mãos. As reticências nunca completadas e sempre sendentas de mais e mais pontos infindáveis. A velocidade imposta em mim por mim mesmo. A energia que parece nunca se extinguir, nem dar mostras disso.
O toque insano e incessante é menos terror do que amor.
O encontro de almas é vital para continuar persignando-se diante da igreja que já não representa nada além de uma arquitetura bonita e que traz boas lembranças. Sim, boas lembranças. As pessoas começam a chegar e encher o espaço sem necessariamente marcar presença, entende? O som, que eu não gosto, rola sem fazer diferença. Uma boa diferença é aquela respeitada em conjunto, mesmo que ele seja díspare.
Já estou cá comigo, feliz, alegre e serelepe, com pessoas muito queridas e pra sempre amadas e especialmente fundamentais em minha vida. Família escolhida mesmo que tenha o mesmo sangue que corre aqui em minhas veias. Desses só foram... A Amy faz parte da última trilha sonora do ano. Seu vozeirão invade os recantes encharcados de esperança de um ano passado esplêndido e um novo que promete.
Com a certeza de que tudo passa, eu sigo vivendo como se nada pudesse me cutucar como aquela urtiga que pinica e provoca um sensação de dor, mas logo alivia quando me deparo com aquela imensidão de rio, de água doce, que alimenta a minha alma... E as reticências. De novo as retincências...
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Gentes
Estava sentindo falta de ver gente, desfilando para lá e para cá, com seus problemas, sonhos, emoções e esperanças. É tão bom ver as relações, os olhares, as ações, os anseios. Sim, porque tudo isso fica muito perceptível quando se sai às ruas. Naquelas catracas ali passam vários mundos andantes, vários destinos customizados de forma aleatória, mas com um sentido intrínseco a cada estranho que passa pelo caminho.
Esse material mutante e fascinante é o que me faz pensar e interagir com a complexidade da minha existência. A prisão forçada estava me sufocando e me fazendo esquecer de mim mesmo e dos meus iguais. Por isso, fiz a promessa: sair para uma caminhada qualquer pelo menos uma vez por semana, mas nunca apagar a certeza do mundo que me envolve em seus tentáculos desordenados e descaracterizados de prioridades urgentes.
Por fim, a presença sua me move para o imutável dos saberes distinguidos em si mesmo pela pompa sem intenção de parecer rei.
Esse material mutante e fascinante é o que me faz pensar e interagir com a complexidade da minha existência. A prisão forçada estava me sufocando e me fazendo esquecer de mim mesmo e dos meus iguais. Por isso, fiz a promessa: sair para uma caminhada qualquer pelo menos uma vez por semana, mas nunca apagar a certeza do mundo que me envolve em seus tentáculos desordenados e descaracterizados de prioridades urgentes.
Por fim, a presença sua me move para o imutável dos saberes distinguidos em si mesmo pela pompa sem intenção de parecer rei.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Aquela pela qual eu morreria
Hoje eu estive com ela. Aquela mulher pela qual eu morreria sem pestanejar. Este foi o mesmo dia que consegui quebrar, com meu adorável e querido pai, a unha do meu pé esquerdo. Esquerdo?
O gelo arde em cima neste momento e eu já não consigo pensar de forma cronológica. Tudo é aleatório. Mas permaneço na missão que me prometi há algumas horas atrás: escrever que por ela eu morreria. Morreria sim! Mesmo com todas as unhas quebradas, mesmo com o coração rachado, mesmo que já não houvesse recomposição dos sentimentos amigos, aqui e agora com ela na praça eu me estenderia ao chão e ofereceria a ela a minha alma de bom grado. De bom e belíssimo grado. Pois se sou feliz hoje é porque tive um olhar de compreensão lá naqueles idos dos anos do início do século 20, quando eu pensava não haver felicidade em nenhum canto da face da Terra.
Está dormente agora. Chutei o gelo para longe. Mas sigo no caminho e na minha ilustre determinação de homenageá-la. Você pensa que é balela, não é? Volta a arder. Mas se eu tivesse a oportunidade neste momento, aqui e agora novamente, você ia ver se eu não seria capaz de cumprir o que digo. Não para parecer verdadeiro e fiel às minhas palavras, mas para ser fiel a mim mesmo e também à amizade pela qual sempre esperei e pela qual me sinto digno de ter vindo a esse mundo sem propósito e sem noção.
O sentido de viver é não ter sentido algum. Ponto final. A ferina e singela amiga está permanentemente fincada por aqui...
O gelo arde em cima neste momento e eu já não consigo pensar de forma cronológica. Tudo é aleatório. Mas permaneço na missão que me prometi há algumas horas atrás: escrever que por ela eu morreria. Morreria sim! Mesmo com todas as unhas quebradas, mesmo com o coração rachado, mesmo que já não houvesse recomposição dos sentimentos amigos, aqui e agora com ela na praça eu me estenderia ao chão e ofereceria a ela a minha alma de bom grado. De bom e belíssimo grado. Pois se sou feliz hoje é porque tive um olhar de compreensão lá naqueles idos dos anos do início do século 20, quando eu pensava não haver felicidade em nenhum canto da face da Terra.
Está dormente agora. Chutei o gelo para longe. Mas sigo no caminho e na minha ilustre determinação de homenageá-la. Você pensa que é balela, não é? Volta a arder. Mas se eu tivesse a oportunidade neste momento, aqui e agora novamente, você ia ver se eu não seria capaz de cumprir o que digo. Não para parecer verdadeiro e fiel às minhas palavras, mas para ser fiel a mim mesmo e também à amizade pela qual sempre esperei e pela qual me sinto digno de ter vindo a esse mundo sem propósito e sem noção.
O sentido de viver é não ter sentido algum. Ponto final. A ferina e singela amiga está permanentemente fincada por aqui...
domingo, 28 de dezembro de 2008
Empanzinando
- Estou me sentindo assim um tanto quanto empanzinada...
- Foi exatamente como eu me senti mulher, quando bebi toda aquela garrafa de vinho ali.
- Você também se sentiu empanzinada?
- Sim... Pensei até que fosse morrer.
- Pare de bobagem, mulher. Até parece que alguém morre por causa de uma garrafa de vinho de nada...
- Ah, morre sim...
- Morre não! Foi só um porre. Sossegue... Mas o próximo só no fim do ano que vem, viu?
- Tá bom, tá bom...
- [pensamento] Essas pessoas que não sabem beber viu... Ai ai.
- Foi exatamente como eu me senti mulher, quando bebi toda aquela garrafa de vinho ali.
- Você também se sentiu empanzinada?
- Sim... Pensei até que fosse morrer.
- Pare de bobagem, mulher. Até parece que alguém morre por causa de uma garrafa de vinho de nada...
- Ah, morre sim...
- Morre não! Foi só um porre. Sossegue... Mas o próximo só no fim do ano que vem, viu?
- Tá bom, tá bom...
- [pensamento] Essas pessoas que não sabem beber viu... Ai ai.
sábado, 27 de dezembro de 2008
2008 Retrô
A retrospectiva da vida deve ser feita ao longo dela, não em breves momentos. Acho que a memória, mesmo que ela vá rareando ao longo dos anos, é a maior detentora de tudo o que fizemos, de tudo o que fazemos, independente de como buscamos registrar todos os acontecimentos decorridos ao passar os dias, as semanas, os meses e os anos ao lado de pessoas amadas e amigos próximos e essenciais que nos ajudam a viver nesse mundo tão desconjuntado. De certa forma, fazemos um balanço diário de tudo o que vivemos. Por quê isso tem de ser feito em apenas uns dias que finalizam um período de tempo chamado de ano? Não, a nossa existência não é separada tão rigidamente assim. O tempo, como não canso de dizer, é apenas uma das ferramentas criada para nos localizarmos melhor em nossas idéias e realizações. Mas o tempo não-oficial é o que importa. É aquele que não pode ser capturado, nem se submete ao cabresto das indecisões. Ele é eterno, mesmo que não dure para sempre. A idéia de eternidade que temos é baseada, sobretudo, na religião. Então, quando a religião já não desempenha um papel fundamental em sua vida você passa a ser eterno? Talvez... Mas só para deixar um rápido registro: a impressão que tenho é que a cada ano, desses que a gente marca no calendário contando para que tenha muitos feriados durante a semana, sinto que há uma evolução nas conquistas e no crescimento intelecto-pessoal a cada instante, a cada respiração entrecortada e sobressaltada de tempos em tempos com surpresas muito caras a mim, almas amigas que me complementam e me decifram do pé a cabeça, cada uma a seu modo... Retrô finalizada a cada dia vivido. É uma reconstrução contínua que se passa aqui dentro. Até quando não sei.
Marcadores:
2008,
ano,
conquistas,
impressões,
retrospeciva,
semanas,
tempo
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Empada
Entornado. Empada. Empáfia. Estonteante...
Me lembro daquele olhar. Agora. Mas ele aconteceu antes, bem antes que eu pudesse desarmar as minhas emoções de tudo que pudesse ser repassado e transmitido com o inesperado. Está na memória. Que ele, o olhar, esteja bem, assim como eu.
O eu que resvala em ti e volta para mim com novos olhares e novas expectativas de vida. A surpresa foi que eu já não era o que fui ontem. Personalidade dupla? Bah! Que nada...
A noite encobriu o campo impregnado de ar puro. Você já sentiu? Ou já nasceu nesse emaranhado de prédios sufocantes, porém tão respeitosos? Queria sentir a chuva sobre o meu corpo, os seus pingos fortes e potentes, purgando tudo o que de inútil tenha grudado ao longo desse ano...
A retrospectiva eu deixo para o último suspiro de desafogamento das águas límpidas e distantes de mim... Uma longa estrada pela frente, ladeada por frondosas árvores... Estou nela até quando?
Me lembro daquele olhar. Agora. Mas ele aconteceu antes, bem antes que eu pudesse desarmar as minhas emoções de tudo que pudesse ser repassado e transmitido com o inesperado. Está na memória. Que ele, o olhar, esteja bem, assim como eu.
O eu que resvala em ti e volta para mim com novos olhares e novas expectativas de vida. A surpresa foi que eu já não era o que fui ontem. Personalidade dupla? Bah! Que nada...
A noite encobriu o campo impregnado de ar puro. Você já sentiu? Ou já nasceu nesse emaranhado de prédios sufocantes, porém tão respeitosos? Queria sentir a chuva sobre o meu corpo, os seus pingos fortes e potentes, purgando tudo o que de inútil tenha grudado ao longo desse ano...
A retrospectiva eu deixo para o último suspiro de desafogamento das águas límpidas e distantes de mim... Uma longa estrada pela frente, ladeada por frondosas árvores... Estou nela até quando?
Marcadores:
chuva,
entornado,
resvala,
retrospectiva,
surpresa
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Nascido
Nascido num tempo errado, numa época distante da correta, da prevista, da esperada. Mas quem esperava? Quem previa? O futuro de agora já não é o mesmo de ontem, nem será o de amanhã. Nessa época é quando sinto de forma mais contundente e dilacerante que eu não devia estar vivendo agora, nesses dias. Mas se eu estou aqui é para viver, não é? Mas isso também não quer dizer que eu tenha que fazer parte de tudo, de todas as festas despidas de qualquer significado profundo para mim...
A minha festa sou eu quem faço, junto daqueles amados por mim. Importantes no meu dia-a-dia, não aqueles outros ali que só levam algum grau de parentesco no sobrenome. Não, sobre mim eu que sei o que vale a pena dar valor. E ponto. Se você não concordar, apenas lamento.
Hou. Hou. Hou... O Natal chegou.
E tomara que vá embora bem rápido. Ufa... terei um ano inteiro pela frente de muito descanso... Ah!
A minha festa sou eu quem faço, junto daqueles amados por mim. Importantes no meu dia-a-dia, não aqueles outros ali que só levam algum grau de parentesco no sobrenome. Não, sobre mim eu que sei o que vale a pena dar valor. E ponto. Se você não concordar, apenas lamento.
Hou. Hou. Hou... O Natal chegou.
E tomara que vá embora bem rápido. Ufa... terei um ano inteiro pela frente de muito descanso... Ah!
Assinar:
Postagens (Atom)