A mudança está mim, no âmago, no amor, no outro, em você. E por quê você não me olha e me mostra o que você tem de melhor e pior? Então fico aqui sozinho a refletir sobre o sexo da lua, sobre o sexo dos anjos, sobre o seu sexo. Sobre o meu sexo. Sobre os meus desejos. Sobre mim. E seria tão bom se você viesse sobre mim... mas nesta noite fria eu não sei o que pensar, pois as idéias viajam sobre a superfície do absurdo, sobre a linha tênue que nos separa do infinito. Mas não se incomode. Eu estou escrevendo, eu estou vivendo, eu estou aprendendo a olhar, a sentir novamente o mundo como ele se mostrou desde quando eu tinha apenas alguns anos de idade. Quando eu tinha o cabelo encaracolado, quando eu não imaginava que estaria nesse vulcão, nessa erupção, nessa loucura de querer transformar o mundo com um sorriso, com um piscar de olhos, com uma arte, com um palhaço, com um batuque, com um clique, com um tricotar, com um jingado de capoeira, com uma pincelada, com um movimento de dança, com um contato, com improvisação, com amor, com dor, com ardor. Senti vontades. Senti desejos. Senti anseios. Senti eu mesmo clamar por aquelas amizades que ficaram esquecidas em algum lugar do tempo, em algum lugar de mim, em algum lugar de você. Por quê as horas nos separam como se fossem cachoeiras que não se cansam de correr e escorrer o tempo passado? Por quê não nos falamos e sentimos o 'tum tum' do abraço apertado, da lágrima incotida, das mãos entrelaçadas e dignificadas apontando para as estrelas da espera?
Eu quero a amizade que te aflige, que te regenera, que te transcende.
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sábado, 10 de abril de 2010
domingo, 5 de outubro de 2008
Sonho socialista, marxista, esquerdista e outros istas...
Um dia eu sonhei que já não conseguia mais me fazer ouvir. Gritava, gritava e discursava com velhos discursos daqueles que ainda têm esperança de mudar alguma coisa nesse mundo tão desconjuntado.
Sim, eu consegui lembrar no outro dia desse meu sonho. Curioso isso. Quase nunca lembro.
Aos meus pés se desenhava uma favela, essa, aquela, não, aquela outra, era uma favela, mas não tinha barracos de madeira, mas ainda assim era uma favela.
Favela, lugar de desprivilegiados, daqueles que nada esperam e de muitos que só esperam, mas que felizmente têm alguns que não esperam e vão à luta, que ainda acreditam na luta, e também no sorriso de uma criança.
Mas eu sonhei! Sonhei que perguntava à todos os moradores daquela favela o que faziam eles levantarem todos os dias para ir trabalhar, apesar de todas as dores, de todo o sofrimento.
“O que mantém vocês de pé ainda?” Não tive respostas, só lacunas, só surdez, só murmúrios.
Lamentos e gritos de acomodados, mas em algum canto, em alguma viela daquele lugar eu ainda pude ouvir um grito de alguém que queria mudar a situação do lugar, levar cultura, levar lazer, levar uma nova perspectiva para aquelas pessoas sem horizonte, esquecidas à própria sorte.
Não, não era época de eleições, não tinha nenhum oportunista segurando crianças no colo naquele momento. Era alguém que já tinha sofrido muito, e que transformou sua dor em luta, em arma contra a exclusão.
No fim do sonho, descobri que não gritava sozinho, que eu podia contar com alguém, que não era só eu que queria mudar o mundo.
A minha voz não estava sendo ouvida naquele momento, mas o grito daquele ser de uma viela qualquer de qualquer favela dessa imensidão de desespero estava sendo ouvido e reverberava nos ouvidos daqueles outros, que naquele momento passaram a tomar consciência pouco a pouco do seu papel e da sua importância para transformar a si próprio e o cenário ao redor.
O sonho não terminou. Continuei e continuo vivendo ele. Podem me chamar de socialista, protetor de pobres e oprimidos, reacionário, marxista, baderneiro, esquerdista.
Eu entendo a necessidade de se criar rótulos. Eu aceito todos eles. Contato que me deixem continuar sonhando com aquela voz transformadora, inquietante e conscientizadora.
E você, quer vir e ouvir comigo essa voz?
ps.: devaneios inspirados em algum tempo atrás [ou à frente] quando a sensibilidade esperançou grandes mudanças.
Sim, eu consegui lembrar no outro dia desse meu sonho. Curioso isso. Quase nunca lembro.
Aos meus pés se desenhava uma favela, essa, aquela, não, aquela outra, era uma favela, mas não tinha barracos de madeira, mas ainda assim era uma favela.
Favela, lugar de desprivilegiados, daqueles que nada esperam e de muitos que só esperam, mas que felizmente têm alguns que não esperam e vão à luta, que ainda acreditam na luta, e também no sorriso de uma criança.
Mas eu sonhei! Sonhei que perguntava à todos os moradores daquela favela o que faziam eles levantarem todos os dias para ir trabalhar, apesar de todas as dores, de todo o sofrimento.
“O que mantém vocês de pé ainda?” Não tive respostas, só lacunas, só surdez, só murmúrios.
Lamentos e gritos de acomodados, mas em algum canto, em alguma viela daquele lugar eu ainda pude ouvir um grito de alguém que queria mudar a situação do lugar, levar cultura, levar lazer, levar uma nova perspectiva para aquelas pessoas sem horizonte, esquecidas à própria sorte.
Não, não era época de eleições, não tinha nenhum oportunista segurando crianças no colo naquele momento. Era alguém que já tinha sofrido muito, e que transformou sua dor em luta, em arma contra a exclusão.
No fim do sonho, descobri que não gritava sozinho, que eu podia contar com alguém, que não era só eu que queria mudar o mundo.
A minha voz não estava sendo ouvida naquele momento, mas o grito daquele ser de uma viela qualquer de qualquer favela dessa imensidão de desespero estava sendo ouvido e reverberava nos ouvidos daqueles outros, que naquele momento passaram a tomar consciência pouco a pouco do seu papel e da sua importância para transformar a si próprio e o cenário ao redor.
O sonho não terminou. Continuei e continuo vivendo ele. Podem me chamar de socialista, protetor de pobres e oprimidos, reacionário, marxista, baderneiro, esquerdista.
Eu entendo a necessidade de se criar rótulos. Eu aceito todos eles. Contato que me deixem continuar sonhando com aquela voz transformadora, inquietante e conscientizadora.
E você, quer vir e ouvir comigo essa voz?
ps.: devaneios inspirados em algum tempo atrás [ou à frente] quando a sensibilidade esperançou grandes mudanças.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Reencontros
O inesperado pode acontecer quando muito se espera, mesmo que seja inconscientemente. As pessoas passam muitas e muitas, mas depois elas podem voltar, de uma hora para outra, com muitas novidades, com novas vidas, experiências, sonhos, ideais.
O passado é estampado no velho rosto que significa toda uma amizade, um tempo com alegrias e desalentos. Realizações talvez, mas apesar de tudo essas pessoas ficaram de alguma forma, fizeram diferença. Quase ajudaram a ceder o silêncio que se abatia sobre a minha boca e emoções. Naquela época, o olhar era triste e vago, como tudo o que habitava no corpo. Porém, como ninguém consegue sobreviver assim como um gato sem dono, era preciso criar contentamentos.
Alguns contribuíram: uns com muito desajeitamento, outros sem saber ao certo que ação estabelecer para furar o bloqueio que havia. Muitos pensamentos passaram de relance, muitas lembranças voltaram à tona, mas o melhor mesmo foi perceber que o tempo é implacável e que ele não quer nem saber: ou você vive ou ele te engole com toda sua característica pressa.
Dedico estas palavras a tudo aquilo que já foi, mas que de certa forma ainda é, pois permanece alterável e suscetível às mudanças de anseios. Com seu desajeito engraçado e inocente, como se nunca tivesse deixado de ser criança, disse: “Li umas coisas do Dalai Lama e descobri que passamos muito tempo preocupados com o futuro e esquecemos de viver o presente”. Ao ouvir isto, lancei um olhar e comuniquei sem palavras toda a minha gratidão por compartilhar aquilo comigo.
Terno encontro e reencontro. Em cada um deles, a surpresa de descobrir uma nova faceta nunca antes explorada.
O destino são escolhas incessantes tomadas a cada piscar de olhos.
O passado é estampado no velho rosto que significa toda uma amizade, um tempo com alegrias e desalentos. Realizações talvez, mas apesar de tudo essas pessoas ficaram de alguma forma, fizeram diferença. Quase ajudaram a ceder o silêncio que se abatia sobre a minha boca e emoções. Naquela época, o olhar era triste e vago, como tudo o que habitava no corpo. Porém, como ninguém consegue sobreviver assim como um gato sem dono, era preciso criar contentamentos.
Alguns contribuíram: uns com muito desajeitamento, outros sem saber ao certo que ação estabelecer para furar o bloqueio que havia. Muitos pensamentos passaram de relance, muitas lembranças voltaram à tona, mas o melhor mesmo foi perceber que o tempo é implacável e que ele não quer nem saber: ou você vive ou ele te engole com toda sua característica pressa.
Dedico estas palavras a tudo aquilo que já foi, mas que de certa forma ainda é, pois permanece alterável e suscetível às mudanças de anseios. Com seu desajeito engraçado e inocente, como se nunca tivesse deixado de ser criança, disse: “Li umas coisas do Dalai Lama e descobri que passamos muito tempo preocupados com o futuro e esquecemos de viver o presente”. Ao ouvir isto, lancei um olhar e comuniquei sem palavras toda a minha gratidão por compartilhar aquilo comigo.
Terno encontro e reencontro. Em cada um deles, a surpresa de descobrir uma nova faceta nunca antes explorada.
O destino são escolhas incessantes tomadas a cada piscar de olhos.
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