quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

O fruto

O fruto e a fruta saíram para desfrutar a frutificação de seus frutos. As sementes semearam sintomaticamente sertanejas flores santificadas pela sanção do povo. O povo proliferou a purificação no povoado cercado de podridão, mas tinha um punhado de possibilidades prestigiosas. A solicitude do bem-querer destrinchou o ditado popular e priorizou os mandados de busca e apreensão do primordial.

O gostoso da vida está em permanecer tocável e sociável, pois o alcance do sonho não pode ficar guardado em sonhos facilmente esquecíveis diariamente.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Destampando

O insano resolveu não se esconder mais dentro de objetos animados e foi procurar refúgio na floresta embrenhada no breu. A textura solidificada de consistências duradouras nunca foi tão belamente traduzida em tons e cheiros de pele...

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Percepções

O que estava aqui já esqueci. Mas retomo, ainda assim. Retomo, nem sempre confiante. Mas certo de que as coisas são mesmo esquecíveis. Você não acha? A idéia da alegria que pulula aqui e ali não distrai meu pensamento através e dentro de percepcões fictícias e vitalícias que contrói a identidade humana dentro do espectro formado por anseios, expectativas, dores e porquês.

Por quê?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Gotas

Quem vem depois não sabe os traços que o guardou nos tempos passados no passado. Inspirado pela nuvem carregada não se atreve a sentir frio, apenas se entrega às vicissitudes do ser. Ouviu-se um barulho, algo ou alguém se arrastava molemente ao som de Doors. A abertura de Apocalipse Now ficou registrada em cada acorde e ângulo, não só visto mas também imaginado. Você escreve à mão regularmente? Eu nem tanto. Mas é tão bom... Me faz sentir vivo diante do tremeluzir da brisa despreocupada que invade o ambiente aqui sem pedir licença. A folha ainda está pela metade. A folha de papel, não a da árvore. A folha com a qual eu pensei em construir uma carta e uma casa; a carta foi, a casa ficou. O ritmo frenético também. Os dias passaram sem avisar que passariam. Rapidamente. O relâmpago. Os trovões seguidos do temporal e da dor na mão. A montanha, ou um agrupamento delas, se amontoa [claro!] diante de mim e mostra o seu mistério sensual escondido nas pedras. Formadas quando? Ontem, provavelmente. Mas eu sou atemporal. Sem tempo de discorrer sobre o que não é extremamente extremo e essencial. Dói muito. É preciso parar. Ejetar!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Futebol

Ele nunca tinha sido muito bom de futebol, mas se esforçava lá do alto de sua pequena estatura. Era uma braveza só, mas nem sempre a vontade vence jogo né? Mas ele viu, à medida que o tempo passava, que ele não tinha o menor jeito para a coisa, que apenas jogava uma peladinha aqui ou ali para se incluir em um grupo, para fazer parte de algo. Mas antes de perceber isso, participou uma vez de um campeonato em sua escola. Devia estar no ensino fundamental ainda e tinha que comer muito arroz e feijão para conseguir vencer os melhores das outras turmas. Mas mesmo assim, ele montou um time-mirim junto com os colegas que jogavam mais ou menos também [tinha um ou outro que até jogava bem, viu]. Mas foi legal aquela fase. Ele sentiu o friozinho na barriga ao ver as arquibancadas lotadas na pequena quadra ao fundo da escola. O uniforme era improvisado, emprestado, sei lá o quê. Sei apenas que pairou a dúvida no ar: era melhor assistir ou atuar? Preferiu a segunda opção e foi lá tentar a sorte. Sim, porque precisavam de muita sorte para não levar uma lavada do outro time, que parecia mais experiente. O menino zagueiro tentou de tudo, mas não conseguia impedir que a bola chegasse até o goleiro, e em seguida até o fundo das redes. Um, dois, três, quatro... É melhor ter paciência. Foi um jogo rápido e fulminante. O resultado final foi algo em torno de 11 a 3. Pelo menos fizeram alguns golzinhos de honra.

Naquela época ele percebeu que sua força não estava nas pernas nem nos dribles e começou a tomar o seu rumo. O duro rumo da estrada tortuosa e cheia de calos e dúvidas. A estrada ainda é tortuosa, mas muitos calos já ficaram para trás. E não voltam mais. Não mais, não.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Singular

Sou único, porém influenciado por uma série de pessoas fora de série, das quais me alimento como se fosse um ser antropofágico, mas que não precisa de carne, apenas de palavras e carinhos para sustentar-se dos pés à cabeça desregulada e pronta para devanear por essas florestas adentro que parecem um mar sem fim, de respiração inspirada na calmaria mais plena de nossas vírgulas e pontos finais.

Observei a montanha ao longe cheia de nuves. Parecia que lá caía uma fina garoa. De repente, bateu um cheiro de protetor solar e logo uma avalanche de pensamentos foi desencadeada aqui. A vista da pousada não era lá tão boa, mas era possível ouvir o barulho do mar e imaginar os barquinhos velejando ao longe. A gruta ficou marcada na memória para sempre. O bom atrevimento de correr riscos e não ligar para quem pudesse julgar aquela relação de modo contrário ao nosso. A reunião em volta da mesa e os sorrisos exultantes, a falta de luz, o abraço aconchegante, os barulhos, os cheiros, os olhares, o clima. O amor.

Nostalgicamente ele deparou [mas não parou] com lembranças vindas naturalmente de recantos importantes e guardados especialmente. Instantes que fazem ele perceber que a vida não está sendo desperdiçada, que o dinheiro é apenas papel e vale muito sim, mas muito pouco se comparado ao preço que se paga para viver, um preço subjetivamente inquestionável.

A oferenda que ainda não quer voltar para os braços do mar é como a ponte iluminada por um sentimento áureo e fugaz.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Junto

A vontade de correr para o seio da família é mais forte do que a vontade do macho diante da fêmea no cio. Os exemplos são escolhidos por você, não impostos de maneira subjetiva. Então viva aprendendo que todo o aprendizado é insuficiente para se viver. Não há segredo nem sentido.

Simplesmente é coloquial e natural.

A vida.