Você não ama o que não conhece.
Até aí, totalmente óbvio, certo?
Quanto de mim já foi descoberto? Se eu não posso responder, não é você quem vai poder, não é? Ai que enrolação de vida!
Só sei que tem cor de canela. Sabe como é cor de canela? Achei tão linda esta definição. Cor de canela. Qual é a sua cor? E a resposta é: cor de canela. Ou canela de cor?
Essa cidade é tão gélida, distante e monocromática! Sobretudo nos dias nublados e chuvosos. Olhe pela janela e confira você mesmo. Não dá para ver nem sentir a energia que normalmente emana dos corpos em circulação. Depois ainda dizem que São Paulo não pára. Blá-blá-blá.
Me afogo em meus prantos e renasço a partir do indizível indivisível das minhas vãs e necessárias palavras. Ao vento. Ao sopro do vento inflamável.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
E o boi renasceu...
Festa popular. Criativa. Muitas cores suingadas. Muito brilho impronunciável. Ao som dos tambores e cantos da terra distante, o boi entrou na roda e fez a festa das centenas de pessoas presentes. Fez a festa ficar na memória de todos que estavam ali. Fez a festa ser valorizada em mais uma etapa da proteção de uma cultura que nunca morre. Mesmo que ela não esteja mais em seu berço, ela se reinventa a partir dela própria e de seus guardiões. Recomendável ao extremo da enésima potência. Vá dar corda à sua emoção!
E, para você, o que é ser brasileiro?
Pense e me diga. Ou não diga. Mas pense...
Ser brasileiro é sentir, como um tapa na cara, a racionalização da esperança que está intrincada em nós desde o nascimento e que nos acompanha em cada passo mal dado ou mal planejado durante a vida.
E, para você, o que é ser brasileiro?
Pense e me diga. Ou não diga. Mas pense...
Ser brasileiro é sentir, como um tapa na cara, a racionalização da esperança que está intrincada em nós desde o nascimento e que nos acompanha em cada passo mal dado ou mal planejado durante a vida.
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sábado, 11 de abril de 2009
Elucubrações
A danada da palavra saltou lá do fundo do meu vocabulário e não pude mais controlá-la. Simplesmente tomou impulso e pulou do penhasco para a vida e para o mundo.
Para o mundo, que nunca se cansa de ser possuído por nós e nos possuir, concomitantemente [nossa, que palavra estranha!]. Você já possuiu o mundo? Já se sentiu pertencer a ele? E a si mesmo? A loucura diária transtorna as inquietações flamejantes aqui dentro de mim. A angústia é a base da minha sensibilidade. Eu a idolatro. Eu a venero. Eu a amo. E estou descobrindo e me inventando a cada dia. Será que ainda vou fazer isso quando estiver velhinho?
Falando nisso, outro dia estava caminhando e ouvi o seguinte diálogo:
- Saiu para dar uma caminhada? - disse um velhinho de um lado da rua.
- Sim. Estou andando um pouco, não muito, só um pouco - respondeu o outro do lado oposto da calçada.
- Ah sim. - completou o outro.
Imediatamente um sorriso brotou do meu rosto ao perceber como os pequenos e singelos diálogos podem ser tão enriquecedores. Você não acha? É, você aí que está com esta expressão de incredulidade em relação à vida!
Que tal caminhar um pouco? Não muito, só um pouco?
Para o mundo, que nunca se cansa de ser possuído por nós e nos possuir, concomitantemente [nossa, que palavra estranha!]. Você já possuiu o mundo? Já se sentiu pertencer a ele? E a si mesmo? A loucura diária transtorna as inquietações flamejantes aqui dentro de mim. A angústia é a base da minha sensibilidade. Eu a idolatro. Eu a venero. Eu a amo. E estou descobrindo e me inventando a cada dia. Será que ainda vou fazer isso quando estiver velhinho?
Falando nisso, outro dia estava caminhando e ouvi o seguinte diálogo:
- Saiu para dar uma caminhada? - disse um velhinho de um lado da rua.
- Sim. Estou andando um pouco, não muito, só um pouco - respondeu o outro do lado oposto da calçada.
- Ah sim. - completou o outro.
Imediatamente um sorriso brotou do meu rosto ao perceber como os pequenos e singelos diálogos podem ser tão enriquecedores. Você não acha? É, você aí que está com esta expressão de incredulidade em relação à vida!
Que tal caminhar um pouco? Não muito, só um pouco?
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
Imaginação vermelha
"Borboletinha, tá na cozinha/Fazendo chocolate/Para a madrinha/Poti Poti/Perna de pau/Olho de vidro/E nariz de pica-pau pau pau". A criança cantava e encantava, com sua coleguinha ao lado, enquanto atravessavam a ponte da linha do trem. Me lembrou tantas coisas, sobretudo a alegria de ser e estar criança.
O pequeno garoto, filho de um amigo, começou a me chutar sorrateiramente e alegremente assim que me viu. Mas era só uma brincadeirinha, de animação por me encontrar. Dizem que levo jeito para a coisa. Não sei. Ou melhor, sei. Acho que sim.
Quero, para sempre e para agora, uma imaginação tão vermelha quanto a vivacidade de uma criança em plena expansão de seus poderes e de suas forças inigualáveis. Uma imaginação vermelha.
O pequeno garoto, filho de um amigo, começou a me chutar sorrateiramente e alegremente assim que me viu. Mas era só uma brincadeirinha, de animação por me encontrar. Dizem que levo jeito para a coisa. Não sei. Ou melhor, sei. Acho que sim.
Quero, para sempre e para agora, uma imaginação tão vermelha quanto a vivacidade de uma criança em plena expansão de seus poderes e de suas forças inigualáveis. Uma imaginação vermelha.
domingo, 5 de abril de 2009
Flocos de nuvens
O avião passou e prosseguiu viagem e o pensamento na minha mente navegou ("Que audácia! Alcançar os céus de forma tão íntima e sincera!"). Alcancei e o persegui com meu olhar limitado, até ele se esconder por trás daquela montanha. Daquela montanha naquele lugar montanhoso e íngreme. Põe íngreme nisso. Não desejo que você experimente as subidas daquele vilarejo, que um dia sonhou em ser bucólico.
Sereno e perene como as nuvens que correm a toda velocidade pelos céus azuladamente estáticos, movidas pelos ventos que varrem até os ciscos dos cantinhos mais desencantados. No entanto, os flocos branquinhos não se moviam naquele momento. Cadê o vento? E a saudade? Uma ou outra conseguia significar uma imagem. Mas provavelmente era eu que não estava tão inspirado para imaginar. Será que é por isso que as pessoas assistem a televisão? Pegue um livro. Aquele livro. Não qualquer um. Aquele especificamente. Não outro. Não aquele que está aqui ou acolá. A colar na prova.
Mas as nuvens continuaram lá, significando algo que minha vã imaginação não conseguiu captar. Porém, outras por aí afora conseguiram intimar a sua descabida e incompreendida beleza natural. Quase chorei.
Sereno e perene como as nuvens que correm a toda velocidade pelos céus azuladamente estáticos, movidas pelos ventos que varrem até os ciscos dos cantinhos mais desencantados. No entanto, os flocos branquinhos não se moviam naquele momento. Cadê o vento? E a saudade? Uma ou outra conseguia significar uma imagem. Mas provavelmente era eu que não estava tão inspirado para imaginar. Será que é por isso que as pessoas assistem a televisão? Pegue um livro. Aquele livro. Não qualquer um. Aquele especificamente. Não outro. Não aquele que está aqui ou acolá. A colar na prova.
Mas as nuvens continuaram lá, significando algo que minha vã imaginação não conseguiu captar. Porém, outras por aí afora conseguiram intimar a sua descabida e incompreendida beleza natural. Quase chorei.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Aquelas que cutucam
O título é obsceno? Talvez. Depende do seu grau de obscenidade. Mas eu falo mesmo é sobre frases que te marcam intensamente na hora que você as ouve ou as leem, ou ainda as imaginam. Veja estas duas que me cutucaram com vara bem curta:
"Cultura é identidade. Mais que isso, é tudo o que o homem imaginou para moldar o mundo, para se acomodar nele e torná-lo digno de si próprio. É isso a cultura: tudo o que o homem inventou para tornar a vida vivível e a morte afrontável". (Aimé Cesaire, poeta martinicano)
"Daqui a mil anos, não haverá homens ou mulheres, só veados. Eu acho legal. Acho que somos heteressexuais por omissão, não por opção. É só uma questão do que é teatral. É uma questão estética, e não tem porra nenhuma a ver com moralidade" (Trainspotting)
Fenomenal.
"Cultura é identidade. Mais que isso, é tudo o que o homem imaginou para moldar o mundo, para se acomodar nele e torná-lo digno de si próprio. É isso a cultura: tudo o que o homem inventou para tornar a vida vivível e a morte afrontável". (Aimé Cesaire, poeta martinicano)
"Daqui a mil anos, não haverá homens ou mulheres, só veados. Eu acho legal. Acho que somos heteressexuais por omissão, não por opção. É só uma questão do que é teatral. É uma questão estética, e não tem porra nenhuma a ver com moralidade" (Trainspotting)
Fenomenal.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
Seguridade insegura
Estive pensando sobre a intolerância humana. Mas isso é uma coisa que sempre penso, ainda mais quando esta insana intolerância salta tão desabridamente aos olhos, como se fosse uma dama da noite travestida de bondade e desfaçatez. Ha!
Rechaçar é combater até os frutos maléficos dependurados da árvore tão frondosa e bela quanto à nuvem carregada de estridência. Ardência.
Discutir vai além de pontos de vista distintos e contraditórios... Discutir é viver a vida na mais profunda troca de essências.
Frases soltas ao vento são somente frases soltas ao vento, entumescido de sementes despossúidas de razões por todo canto. É a emoção que grita sua verve instingante.
Verve. Instingante. Intrincada.
Rechaçar é combater até os frutos maléficos dependurados da árvore tão frondosa e bela quanto à nuvem carregada de estridência. Ardência.
Discutir vai além de pontos de vista distintos e contraditórios... Discutir é viver a vida na mais profunda troca de essências.
Frases soltas ao vento são somente frases soltas ao vento, entumescido de sementes despossúidas de razões por todo canto. É a emoção que grita sua verve instingante.
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