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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A Natureza chora

A Natureza chora de dor e eu de raiva de mim mesmo, por não fazer nada, por só contemplar. Admirar o que ainda resta. O pouco que resta. Um pôr-do-sol lá longe numa terra perdida. Um luar não muito longe de casa, entre os prédios da cidade. Uma chuvinha fina e barulhenta diante dos passos apressados dos moradores da grande pedra esculpida tão desordenadamente. Mas eu choro e me emociono ainda. A sensibilidade transborda até o topo do copo, ou melhor, do corpo, da mente e da existência.

Não canso de cansar de pensar e repisar na idéia de que o mundo caminha para a frente e para trás ao mesmo tempo. Será que ele não sai do lugar? Será que é coisa da nossa cabeça? Mas que cabeça, meu filho? Nós já a perdemos faz tempo. E o tempo machucou a boca daqueles que um dia duvidaram do esforço diário de manter-se acordado diante dos pileques e escorregões nas cascas de banana, que o povo [ah, sempre o povo, e eu também] jogou ali no meio da rua. Bueiro entupiu e o rato não escapuliu.

Mas outros ratos conseguiram escapulir e continuam a desmantelar tudo o que vêem pela frente. A gana de ganhar e gabaritar cada vez mais espaços deixou o homem burro diante de toda a sua inteligência, muitas vezes malignamente displicente.

Só comigo vai ficar pra sempre a noção de que nada pode ser tão complexo e belo quanto o tudo que habita nos poros dos corpos andantes e vacilantes por esta selva de ninguém.

domingo, 7 de setembro de 2008

O delírio do cansaço

O cansaço toma conta e oprime cada vez mais aquele corpinho raquítico e frágil na existência avassaladora do dia-a-dia impiedoso. Não perdoa, não releva, o tempo passa cada vez mais veloz. E eu fico aqui sem saber como administrá-lo, como multiplicá-lo, desprezá-lo. Salvando um resto de sabor e aroma de melancia adocicado e cheio de permissividade. Eu quero.

Cartões foram jogados ao alto e as pulseiras de metal foram presas aos pulsos daqueles que se submetiam ao grotesco e grosseiro. Agora já não faz mais sentido nem vale a pena, terminou e não disse para onde ia, não houve rastros em seu caminho, não houve pistas que indicassem o seu paradeiro. Sempre foi confuso e perdido, mas não contava com aquela descoberta da trilha para o fim do mundo. Não. Era depois ainda do fim do mundo. Mas conseguimos chegar lá. É como se os tivessem jogado naquele mundaréu de descaso e fossem esquecidos à própria sorte, que pouquíssimas vezes bateu em sua porta.

Encancarou-a e meteu-se a besta. Não foi necessário nenhuma cerimônia. Foi entrando, se apresentando, se mostrando, se fazendo. Mas com uma humildade controversa ficou feliz de sentir um clima simpático e fresco. Era bem-vindo. Era querido e bem-vindo naquele lugar. Não se cansou de exclamar que gostaria de pertencer para todo o sempre a si mesmo e a todos. A todos os lugares onde pudesse encontrar o delírio das paixões que transcendem a compreensão desumana.

E por lá não ficou e foi descobrir o mundo. Tentar mudá-lo, talvez. Estava cansado naquela noite, mas jurou a si mesmo que não abandonaria a convicção de que aprenderia cada vez mais com os regalos da vida e as promessas soltas pelos corações desabrigados e maltratados. Havia sido encontrado, o que contribuiu para diminuir um pouco o desespero. Amanhã ele estará cada vez mais distante. Ele mesmo me segredou. Confie em mim.