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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Liberdade almática

É sério!
O telefone toca. E eu já corro pra escrever.
Tudo me inspira. Quer dizer, nem tudo.
Mas eu me aproveito de situações inesperadas.
Ou pequenas.
Ou inesperadas. De novo.
Falar, falar e falar.
Mas o mais importante é:
Encontrar essências
Mesmo que elas não sejam essenciais
Mas são infinitamente sinceras
Mesmo que eu não saiba mais diferenciar
O x do y e o y do z...
Nem ao menos saiba me ver no espelho.
A segurança nem sempre está aqui
Às vezes ela sai pra passear
E me deixa desarmado.
Sim. Despido de mim mesmo.
Pois adoro me perder em mim mesmo.
E também perder a paciência dentro de tudo.
E de todos.
E não pensar racionalmente.
E fingir que não estou no mundo, de vez em quando.
E pertencer a nada e a tudo, ao mesmo tempo.
E não responder por meus atos.
E não ter atos.
E ter atos... E atitude.
E ovos fritos na frigideira já bem usada...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Tempeando

O tempo nunca foi nem nunca será o senhor dos meus dias. Ele tenta, mas eu destruo todos aqueles ponteirinhos ali, tá vendo? Não deixo de jeito nenhum ele se achegar pra perto de mim como se não quisesse nada. Mas ele quer. Quer sim. Quer tudo quanto é mais precioso para mim: os mais pequenos momentos saboreados na companhia de amáveis almas amigas e singelas, que não me pertencem, mas se ligam à minha por instantes rápidos como o relâmpago.

Sabia que essa história de brincadeiras infantis fica martelando na minha memória? Ah, a memória. Transpiro e transmito de dentro de mim todas essas palavras. Este é meu talento que não será roubado jamais. Elas, as palavras e as letras, são tão lindas que meus olhos chegam até a marejar neste momento. Falo sério, acredite! Olhe estes desenhos, estes contornos, estes versos transversais de mim mesmo, que me representam e são representados por meu olhar sobre as coisas, animadas ou inanimadas, não importa. As coisas!

O teto aqui está branco, completamente branco. Uma rachadura naquele canto ali me diz que nada é para sempre, nem perfeito. A perfeição é uma bobagem inventada para vender boas imagens de pessoas disfarçadamente boas. As luzes giram na velocidade do vento, que entorta a minha pele para todos os lados. Ele está incansável nesta noite gélida, enquanto olho para o mar desse mirante improvisado dentro de mim.

A liberdade.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A pachorra e o poema

Pachorra. Palavra engraçada não é? Como ela teve a pachorra? Pachorra é tão feminino, com todo o respeito, claro. Se fosse pachorro não teria a menor graça. Sonhos. Eles estão sendo mais exercitados ultimamente durante o sono. Liberdade. Paraíso. Inferno. Redenção. Romaria. Passarela. Lá vou eu de novo com a mania das palavras e o temporal.

Encontro desencontrado
Casamento descaracterizado
Normalidade incomum
Amor incondicional
Peleja eterna e descamada
Quarto do quartel rigidamente bobo
Beleza disfarçada num olhar
Bolas misturadas no ar
Balões de brigadeiros na mesa
Piquenique debaixo da árvore
Cheiro de café da vovó
Pedrinhas no caminho para o rio
Arbustos tão grandes quanto eu
Mãos dadas diante do luar
Lamacenta sensação de estar
De externar e ser
De materializar o que é sonhado
A noite veio alimentar
De forma definitiva e incomparável
As mentes enlaçadas umas nas outras
O amor.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Liberdade e Paraíso

A Liberdade é chegar ao Paraíso ou o Paraíso é chegar à Liberdade? A santidade está debaixo das minhas calças ou das suas? A auréola foi feita apenas para adornar ou tem um duplo sentido? A poluição está nas mentes ou ainda não conseguiu perfurá-las? As nomeações são importantes ou servem apenas para designar tediosos pódios e hierarquias?

A pergunta é uma forma de calar ou de espantar as explicações? Não o sei, por isso pergunto. Está claro que nada é tão clarividente a ponto de prever o futuro. Se ele é construído e desconstruído a cada dia, como podem ler minha mão e dizer que tropeçarei na esquina seguinte? Agora uma coisa é certa: eu sou capaz de ler o meu futuro. Você está rindo né? Não ria, eu aconselho. A eterna edificação do amanhã só depende de nós. As pessoas precisam perceber isso. Pra mim é uma coisa tão óbvia! E é preciso delatar também: muitas coisas nos impedem de enxergar. E a cegueira é triste.

A igreja.

As rimas podem ser feitas por todos. A poesia também. Bastam sensibilidade e atenção para o que é essencial. Aliás, o essencial e a essência são tão particulares que apenas uma mente pode descrever e instituir: isto é poesia para mim. A poesia nada mais é do que a descrição dos nossos ‘eus’. E não importa a forma com que ela seja expressa.

A irritação e mal-humor toldam os melhores sonhos e empobrecem o dia-a-dia, que não conseguem se tornar noite, pois é o preço que se paga: viver eternamente na intranqüilidade dos aflitos por nada. É tudo tão rápido e avassalador e nós, que somos uns bobos, achamos que está tudo tão lento. Nem a nossa justiça é lenta. Não é brincadeira. Falo sério.

O Brasil.

A mão esquerda tremelica. Está doida coitadinha. Eu hein!