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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Em outra galáxia

Pareço com uma parede branca e intocada à espera da pintura e de todas as figuras que serão desenhadas e imaginadas. As crianças ainda não chegaram com toda a sua peraltice sujando e brincando com os desenhos de suas mãos. Mas elas foram encomendadas, sinto isso. Um dia, elas ainda vão entrar por aquela porta ali, correndo e sorrindo de felicidade.

Hoje – voltando ao hoje – não estou em nenhum lugar, nem em mim mesmo. A sensação é de que acordei em outra galáxia recheada de promessas para o presente sem nostalgia do passado. Este novo mundo é tão quente e aconchegante que o sonho parece querer durar só mais um pouquinho, sem tempo nem obrigações urgentes.

De qualquer forma, o caminhar demonstrava que não havia direção certa, que o certo e o errado é uma construção temporal e autoritária, que nem percebemos conscientemente o que nos leva a realizar algumas ações ou deixar de fazer aquilo que sentimos vontade. Pois eu quero todas as vontades e desejos e que a bomba atômica seja jogada no monte de pecados inventados e levados a sério por meio de doutrinas vãs.

É fato que o fato foi expulso de forma agressiva e feroz e jogado a quilômetros de distância dos velhos valores que valeram por vários séculos saciados pelo preço da vingança levada à forra com vigor e maestria de um varão perpetuado por suas características caricatas e disponíveis de forma fatal nos olhos lançados e esperneados entre pés prostrados por terra terrificada por titubeantes tremores.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Roçando três mudas de vento

Roçar e deslizar sua perna no desconhecido faz parte de um momento mágico e contraditório. Você não conhece, mas está ali. Aparentemente não difere em muita coisa de sua estatura baixa e morosa, mas sem indagações e interceptações percebe que é igual, que é você travestido de outra roupagem, inovadora e deslocada de sua couraça original.

Tentam balançar de um lado e de outro, mas me mantenho teso e resoluto diante das peripécias [sempre gostei desta palavra] que me apresentam e se transformam quando chegam a mim. Tomo posse, são minhas e de mais ninguém. É o meu livro de histórias mal contadas, mal iniciadas, mal rabiscadas, mas contundentes naquilo que fortalece cada vez mais a abdicação de velhos valores e novas morais. E a vergonha acabou-se por completo, para todo o sempre até que alguém a mude de lugar e a transforme no estandarte dos bons costumes que oprimem e regulamentam um espaço reservado ao caos e à anarquia.

Um sinal obsceno de uma revigorante e desmiolada senhorinha que perambula pelas esquinas de tráfego misturado com tráfico, que reverbera nos ossos daqueles que foram enterrados e se contorcem para voltar à tona, poder respirar e gritar impropérios inimagináveis diante da vossa excelência sagrada e pura. Pureza entremeada de guerras infames e extrovertidas, que gargalham na cara do perigo de se perder e perder o medo do inigualável teorema formulado por malucos de todo o mundo, de todas as eras.

Um vestido balança no varal ao sabor da ventania que ofusca com suas pedrinhas e pequenos ciscos imperceptíveis no ar impuro e levemente morno. O crepúsculo toma a varandinha da pequena moradia construída com palhas, madeiras, pregos, rumores, ganas, avarezas, solidariedade, samba do crioulo doido, mutirão. O doido corre segurando suas calças, e naquela cena engraçada não se inibe de continuar a correr desenfreadamente. De repente, rouba o vestido florido que estava no varal e o veste todo desajeitado. Que doido!

Mas não parou de pensar que se deseja o que quer já não se permite mais querer, e se não quer o que lhe é sugerido, estupora-se e se debate como um epilético, sem nem imaginar que os tremeliques do seu corpo representam apenas a falta de sensação obstinada que o aflige repentinamente sempre pela manhã dos dias, que sempre parecem enevoados e nublados, aquele tempo que o faz ficar ‘down’. Que down o quê ô! Down é o critério com o qual analisa a si mesmo. Fechou o vidro da janela e saiu para curtir a vida que se contorcia lá fora.