Nos últimos dias meu inconsciente insiste em me colocar diante de despedidas. Os sonhos estão cada vez mais intensos e no outro dia eu lembro de pedaços, o que já é uma grande coisa. Pedaços de pessoas que partem, há muito tempo não vistas, não tocadas e não observadas com a doçura típica dos amigos mais especiais.
Se hoje fosse o último dia da existência humana, o que mais desejaria era botecar com as amigas no Zé. Os sonhos são muito loucos e quando me perseguem dessa forma durante todo o dia me faz ficar com a pulga atrás da orelha. Não é descabido não, eu os levo à sério. Mas é brincadeira como as coincidências não parecem ser coincidências se acompanhadas de um desejo íntimo, secreto e inconsciente.
O mormaço do dia infernal e tão abusado de quente fez com que tudo parecesse desabitado e morto. O silêncio provocou certo comichão e impaciência, pois denotava que lá fora as folhas estalavam ao ser queimadas pelos reflexos impiedosos do senhor Sol.
Masculino ou feminino? Não importa, o extremamente fundamental é a mente fincada no corpo, sem distinção de sexo.
Flexionando as pernas, sentiu e ouviu um ruído interno que reclamava do suor escorrendo pelas faces cheirosas pelo aroma do vento que cobria a pequena vila, destituída de políticos corruptos. Lá era o sonho, a utopia não tornada real. Não era sólida, era apenas uma indicação de inspiração contida em alguma essência espalhada por aí afora.
Durante o sono surgiram estas palavras. Dois pontos. Devem ter alguma ligação comigo e com hoje-ontem-amanhã também. Sei lá. Por via das dúvidas, elas estão aí. Porque aprendi, mesmo que tardiamente, que o amontoado de letras que formam palavras não deve ser reprimido nem minimizado. Então, estão aí de novo.
Fome. Famigerado. Factóide. Ficção. Facção. Faca. Fumegante. Fumaça. Furtado. Fraquejante. Fosco. Fundido. Fustigado. Fresco. Firula. Frutar. Florescer. Festar. Filmar. Fertilizar. Fracionar. Framboesa. Finalizar. Frangalhar. Frisar. Fósforo. Fogo. Facão. Fama. Forma. Fortaleza. Fissura. Frenético. Fogão. Fubá. Fosforescente. Fala. Formoso. Fé.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
O reconhecimento
Por que eu não me basto? Por que sempre preciso de outro? Por que o vazio momentâneo não pode ser algo bom e aproveitável? Por que os porquês são tão desconcertantes? É preciso uma cara-metade ou apenas metade da cara para ser feliz? O raio de sol ilumina para todos ou é direcionado para aqueles que nasceram com o bumbum virado pra lua? Às vezes desconfio que os dois fizeram um pacto. Mas isso é bobagem da minha cabeça muito imaginativa.
O motivo de todos os questionamentos está nisso: o ser humano que eu sou ou que nós somos, invariavelmente, sem prerrogativas de saber e de possuir. Ninguém é dono de ninguém. É triste quem acha que a posse não será transferida, pois ela será. Tudo é provisório, passageiro e predestinadamente previsível. A crença de que a chegada está cada vez mais distante nos faz abrir um lampejo de felicidade a cada amanhecer, resolvidos a transformar o dia num belo realizar do sonho da noite anterior.
Interrupção necessária e rápida. Não chegou a cinco minutos no relógio atrasado.
A busca parece incansável, mas a minha paciência parece se esgotar assim como as árvores da Amazônia. Eu tenho pressa, o fôlego parece que acabará do dia pra noite. Não sei explicar muito bem, porque o tempo perdido parece cobrar mais ação, mais atividade, mais vida! E apesar da solidão, continuo a cantarolar ao ver sorrisos de crianças.
Como esse abrir de dentes me comove e arrepia até a superfície mais profunda da alma! É impressionante como o olhar pidão de amor me tira do lugar e faz estremecer todo o corpo. Sou nada diante de vocês, minhas belas crianças. Meu belo futuro será pintado por suas grandes realizações. O favor é feito por vocês, não por mim. Continuem a sorrir tão livre e despreocupadamente, pois dessa forma se alimentam de forças para seguir em frente, na lenta e cruel caminhada do crescimento rumo às grandes responsabilidades. Elas também são necessárias, mas vocês são ainda mais.
O meu sorriso ganhou um pouco mais de felicidade e o brilho nos olhos de vocês me fez crer em tudo o que há de mais naturalmente abrasador nos pequenos e singelos detalhes.
O motivo de todos os questionamentos está nisso: o ser humano que eu sou ou que nós somos, invariavelmente, sem prerrogativas de saber e de possuir. Ninguém é dono de ninguém. É triste quem acha que a posse não será transferida, pois ela será. Tudo é provisório, passageiro e predestinadamente previsível. A crença de que a chegada está cada vez mais distante nos faz abrir um lampejo de felicidade a cada amanhecer, resolvidos a transformar o dia num belo realizar do sonho da noite anterior.
Interrupção necessária e rápida. Não chegou a cinco minutos no relógio atrasado.
A busca parece incansável, mas a minha paciência parece se esgotar assim como as árvores da Amazônia. Eu tenho pressa, o fôlego parece que acabará do dia pra noite. Não sei explicar muito bem, porque o tempo perdido parece cobrar mais ação, mais atividade, mais vida! E apesar da solidão, continuo a cantarolar ao ver sorrisos de crianças.
Como esse abrir de dentes me comove e arrepia até a superfície mais profunda da alma! É impressionante como o olhar pidão de amor me tira do lugar e faz estremecer todo o corpo. Sou nada diante de vocês, minhas belas crianças. Meu belo futuro será pintado por suas grandes realizações. O favor é feito por vocês, não por mim. Continuem a sorrir tão livre e despreocupadamente, pois dessa forma se alimentam de forças para seguir em frente, na lenta e cruel caminhada do crescimento rumo às grandes responsabilidades. Elas também são necessárias, mas vocês são ainda mais.
O meu sorriso ganhou um pouco mais de felicidade e o brilho nos olhos de vocês me fez crer em tudo o que há de mais naturalmente abrasador nos pequenos e singelos detalhes.
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domingo, 12 de outubro de 2008
Famosos e o vazio
A fama impede que as pessoas olhem mais para as pequenas coisas. O nariz arrebita e os pequenos prazeres da vida nunca são alcançados. Porque a natureza está ali para ser admirada e reverenciada. Ela é tudo e comanda céus e horizontes. Também o canto dos pássaros e os dissabores necessários e enfáticos na hora de mostrar o que deve ser sonhado e revelado para a humanidade sebenta de velhos desejos.
Como o pensamento invade uma cabeça vazia e desabitada, foi a sua aparição impactante e impaciente, pois tinha pressa de se apresentar para todos, os quatro cantos do mundo tinham sede de ser ouvidos principalmente porque era extremamente inevitável escutar os lamentos e os gritos de felicidade plena de momentos não negados por nenhum ser visível e invisível, discreto e indiscreto, ousado e tímido, sem-vergonha e cheio de pudor. Penduricalhos numa árvore de natal na fogueira de São João.
O poder está nos infindáveis devaneios e veios artísticos. A vontade, mal percebem, é uma indispensável companheira nas soluções das moléstias e chagas disseminadas como pragas nos esqueletos dispostos aleatoriamente e sem nenhum cuidado. Capacitação é apenas um termo utilizado para o que deixou de ser realizado ou planejado. Capacitar a quê? Capacitar a quem? No Paraíso das virtudes, ergueu-se uma grande torre de mentiras e equívocos. Havia árvores do fruto proibido e delicioso. Hum... como era bom e extasiante.
A gente sabe o que nos contaram, mas há outras coisas que já nascemos sabendo. Seria o tal do instinto que sempre falam? Talvez. Mas eu queria chegar a outro assunto, que agora já fugiu completamente como o diabo foge da cruz em noites de lua cheia. Não precisou parar de caminhar para pensar no mundo que o rodeava e expandia para além das montanhas todas as suas ânsias por mais nascer do sol e dias iluminados pela luz própria que habita cada mente brilhante por existir independente e inconformada com a generalidade de estar.
Orientações para direções descabidas e distorcidas por interesses próprios e escusos. Não se trata de produzir, mas de transformar o nada em tudo e a inconsciência em projetos para o presente, que transformem os minutos seguintes, que ainda não chegam a ser futuro, mas almejam ser apenas o hoje destituído de preocupações com o ontem já perdido em sórdidas memórias que existem só para atormentar os corações burros e delineados pela energia e emoção, combustíveis esféricos e empacados na instituição física e psíquica de mim e de tudo.
Como o pensamento invade uma cabeça vazia e desabitada, foi a sua aparição impactante e impaciente, pois tinha pressa de se apresentar para todos, os quatro cantos do mundo tinham sede de ser ouvidos principalmente porque era extremamente inevitável escutar os lamentos e os gritos de felicidade plena de momentos não negados por nenhum ser visível e invisível, discreto e indiscreto, ousado e tímido, sem-vergonha e cheio de pudor. Penduricalhos numa árvore de natal na fogueira de São João.
O poder está nos infindáveis devaneios e veios artísticos. A vontade, mal percebem, é uma indispensável companheira nas soluções das moléstias e chagas disseminadas como pragas nos esqueletos dispostos aleatoriamente e sem nenhum cuidado. Capacitação é apenas um termo utilizado para o que deixou de ser realizado ou planejado. Capacitar a quê? Capacitar a quem? No Paraíso das virtudes, ergueu-se uma grande torre de mentiras e equívocos. Havia árvores do fruto proibido e delicioso. Hum... como era bom e extasiante.
A gente sabe o que nos contaram, mas há outras coisas que já nascemos sabendo. Seria o tal do instinto que sempre falam? Talvez. Mas eu queria chegar a outro assunto, que agora já fugiu completamente como o diabo foge da cruz em noites de lua cheia. Não precisou parar de caminhar para pensar no mundo que o rodeava e expandia para além das montanhas todas as suas ânsias por mais nascer do sol e dias iluminados pela luz própria que habita cada mente brilhante por existir independente e inconformada com a generalidade de estar.
Orientações para direções descabidas e distorcidas por interesses próprios e escusos. Não se trata de produzir, mas de transformar o nada em tudo e a inconsciência em projetos para o presente, que transformem os minutos seguintes, que ainda não chegam a ser futuro, mas almejam ser apenas o hoje destituído de preocupações com o ontem já perdido em sórdidas memórias que existem só para atormentar os corações burros e delineados pela energia e emoção, combustíveis esféricos e empacados na instituição física e psíquica de mim e de tudo.
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sábado, 11 de outubro de 2008
Vida óbvia
São Paulos, São Joãos, São Beneditos, São Pedros, São Antônios. São de Nadas e suas imagens só remetem ao vazio que sinto quando vejo a intolerância exposta e, inacreditavelmente, disfarçada de amor ao próximo e compreensão exacerbada. Às vezes rio na cara da hipocrisia, mas em outras tantas me dá vontade de vomitar um tamanho enorme de excrementos e sujeira em cima dela, que parece se encolher imediatamente. Porque nessa hora eu sou Deus, o Deus de mim mesmo, que controla o que sou e o que vivo.
O veneno e o rato. O rato com seu veneno e o veneno de rato a esperar pela decisão fatídica. A decisão seria a derradeira tomada em anos de vida medíocre. Até chegar a esta conclusão trágica e sem volta não foi preciso pensar muito, nem dividir a ansiedade com ninguém, até porque não havia. Essa coisa é muito louca. O que deve passar na cabeça de um suicida? É preciso ter sangue frio ou quente? Não me entenda mal, não quero me juntar ao grupo, são apenas questionamentos de vida ou morte, duas preciosas palavras que nos atormentam sem descanso.
Os elementos estão todos aí e só falta a sagrada e indispensável sensibilidade para percebê-los e fundir todos juntos em divagações intermináveis da mente pura e sádica. É um infinito composto por estudos complexos que fogem ao entendimento rasteiro das implicações e conseqüências direcionadas para quem está desarmado e livre do tiro à queima roupa, resultado do acidente não evitado naquela tarde de céu negro como o breu.
Resmunga um sonzinho de uma música antiga e que esteve nas paradas de sucesso de muitas rádios. Devia ser época do saudoso vinil ainda. Como uma idéia súbita aflorou de repente, ela não se contentou com o fogão e o tanque e foi se emancipar para aqueles lados onde era mal-vista e rejeitada. Não se impressionou e se armou do mais discreto despudor e foi viver a vida que lhe fora negada duas décadas atrás. A escolha agora é ser livre e gozar os prazeres da carne e do mundo. Pobres daqueles que negam a vida e reprimem a felicidade que só eles podem criar.
O protagonismo da existência não deve ser menosprezado nem oferecido a outros, pois somos os atores de nossa própria encenação. Ou pelo menos, devemos ser. Benditos sejam os que descobriram esse dever básico e tão descaradamente óbvio.
O veneno e o rato. O rato com seu veneno e o veneno de rato a esperar pela decisão fatídica. A decisão seria a derradeira tomada em anos de vida medíocre. Até chegar a esta conclusão trágica e sem volta não foi preciso pensar muito, nem dividir a ansiedade com ninguém, até porque não havia. Essa coisa é muito louca. O que deve passar na cabeça de um suicida? É preciso ter sangue frio ou quente? Não me entenda mal, não quero me juntar ao grupo, são apenas questionamentos de vida ou morte, duas preciosas palavras que nos atormentam sem descanso.
Os elementos estão todos aí e só falta a sagrada e indispensável sensibilidade para percebê-los e fundir todos juntos em divagações intermináveis da mente pura e sádica. É um infinito composto por estudos complexos que fogem ao entendimento rasteiro das implicações e conseqüências direcionadas para quem está desarmado e livre do tiro à queima roupa, resultado do acidente não evitado naquela tarde de céu negro como o breu.
Resmunga um sonzinho de uma música antiga e que esteve nas paradas de sucesso de muitas rádios. Devia ser época do saudoso vinil ainda. Como uma idéia súbita aflorou de repente, ela não se contentou com o fogão e o tanque e foi se emancipar para aqueles lados onde era mal-vista e rejeitada. Não se impressionou e se armou do mais discreto despudor e foi viver a vida que lhe fora negada duas décadas atrás. A escolha agora é ser livre e gozar os prazeres da carne e do mundo. Pobres daqueles que negam a vida e reprimem a felicidade que só eles podem criar.
O protagonismo da existência não deve ser menosprezado nem oferecido a outros, pois somos os atores de nossa própria encenação. Ou pelo menos, devemos ser. Benditos sejam os que descobriram esse dever básico e tão descaradamente óbvio.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
O eu e a imagem
Ah, deu erro e já não estou com saco. Que raiva. Vou só escrever o essencial:
A imagem do eu é a mesma do tu? A figura retirada da fotografia é o que eu vejo no espelho todos os dias, ou apenas uma representação do que sou?
A idéia faz parte da imagem que tenho de mim mesmo? O julgamento ocular das pessoas é parecido ou totalmente diverso de como me vejo?
E quem não se vê? Como será que faz para criar as imagens e os desenhos? Das linhas e dos contornos já se sabe que são apenas linhas e contornos que delimitam até onde ver e até onde ir.
Ensandecido e fotografado discretamente, não parou na esquina e continuou analisando as caras desvairadas.
Fim. Talvez volte mais tarde. Mas a cabeça dói e o corpo pede arrego e sonha acordado com a cama quente e confortável que o espera daqui algumas horas.
A imagem do eu é a mesma do tu? A figura retirada da fotografia é o que eu vejo no espelho todos os dias, ou apenas uma representação do que sou?
A idéia faz parte da imagem que tenho de mim mesmo? O julgamento ocular das pessoas é parecido ou totalmente diverso de como me vejo?
E quem não se vê? Como será que faz para criar as imagens e os desenhos? Das linhas e dos contornos já se sabe que são apenas linhas e contornos que delimitam até onde ver e até onde ir.
Ensandecido e fotografado discretamente, não parou na esquina e continuou analisando as caras desvairadas.
Fim. Talvez volte mais tarde. Mas a cabeça dói e o corpo pede arrego e sonha acordado com a cama quente e confortável que o espera daqui algumas horas.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O fascínio do livro
Outro dia senti o cheiro da minha biblioteca quando ainda era um garoto que sonhava em se reinventar e descobrir o mundo que havia lá fora. Dona Milla, a querida e apaixonante ‘dona’ da biblioteca, sempre me incentivava a ler, me sugeria livros e, de repente, já trocávamos figurinhas de autores e títulos. Tinha dia que não abria e eu voltava para casa com os livros que já havia devorado rapidamente.
Boas lembranças e um período muito importante, que guardo com carinho e teve sua parcela de contribuição no que sou-estou-faço hoje. Naquela época nem percebia o que acontecia, afinal de contas era o presente e agora já estou no futuro: só sentia um tremendo prazer ao abrir um novo livro e me deliciar com aquelas lindas palavras que me alegravam o espírito. Mas que espírito? O meu ué, você não o conhece? Sugiro conhecer. Ele é super gente boa. Às favas com a modéstia.
A aproximação com o outro tornou-se mais fácil, mesmo mergulhando em mundos paralelos e mágicos nunca antes visitados. Tenho a impressão de que essas ações e a troca de imaginações fazem parte de tudo o que escrevo, de tudo o que transformo em palavras dispersas e olhares contundentes. Mas eu tenho uma confissão a fazer: achava uma tremenda balela quando diziam que se podia viajar por esse mundão todo através dos livros. Não sabia como isso podia ser verdade e então aceitei o desafio e fui conferir de perto.
O caminho não teve volta e até hoje eu vivo e respiro livros, acima de tudo. Parece que estaciono quando não estou com nenhum livro na mochila, a transitar para lá e para cá com uma imensidão de idéias borbulhando, nas páginas e nas curvas da minha mente.
Agradecer à minha grande incentivadora já não posso, mas onde quer que esteja [o que é a morte? Alguém aí sabe?] ela deve saber que deixou um serzinho [EU] aqui na Terra e no barro cru que fez muito bom proveito do exemplo mostrado e do presente dado. A porta da biblioteca agora está sempre aberta e volta e meia o cheirinho [que deve ser de algum alvejante ou coisa do tipo] vêm a tona e invade a semente plantada há tantos anos atrás. Ah, nem faz tanto tempo assim. Mas é que minha relação com o tempo é diversa das demais. Depois explico isso melhor.
Às vezes, olho no espelho e vejo muito clara a imagem daquela criança em construção.
Boas lembranças e um período muito importante, que guardo com carinho e teve sua parcela de contribuição no que sou-estou-faço hoje. Naquela época nem percebia o que acontecia, afinal de contas era o presente e agora já estou no futuro: só sentia um tremendo prazer ao abrir um novo livro e me deliciar com aquelas lindas palavras que me alegravam o espírito. Mas que espírito? O meu ué, você não o conhece? Sugiro conhecer. Ele é super gente boa. Às favas com a modéstia.
A aproximação com o outro tornou-se mais fácil, mesmo mergulhando em mundos paralelos e mágicos nunca antes visitados. Tenho a impressão de que essas ações e a troca de imaginações fazem parte de tudo o que escrevo, de tudo o que transformo em palavras dispersas e olhares contundentes. Mas eu tenho uma confissão a fazer: achava uma tremenda balela quando diziam que se podia viajar por esse mundão todo através dos livros. Não sabia como isso podia ser verdade e então aceitei o desafio e fui conferir de perto.
O caminho não teve volta e até hoje eu vivo e respiro livros, acima de tudo. Parece que estaciono quando não estou com nenhum livro na mochila, a transitar para lá e para cá com uma imensidão de idéias borbulhando, nas páginas e nas curvas da minha mente.
Agradecer à minha grande incentivadora já não posso, mas onde quer que esteja [o que é a morte? Alguém aí sabe?] ela deve saber que deixou um serzinho [EU] aqui na Terra e no barro cru que fez muito bom proveito do exemplo mostrado e do presente dado. A porta da biblioteca agora está sempre aberta e volta e meia o cheirinho [que deve ser de algum alvejante ou coisa do tipo] vêm a tona e invade a semente plantada há tantos anos atrás. Ah, nem faz tanto tempo assim. Mas é que minha relação com o tempo é diversa das demais. Depois explico isso melhor.
Às vezes, olho no espelho e vejo muito clara a imagem daquela criança em construção.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Uma casca de banana
Uma casca de banana. Já perceberam a profundeza que existe numa casca de banana? Experimente olhar fixamente para seus tons e nuances de cores e cheiros: é fenomenal. É claro que é preciso estar disposto a tudo, sem frescuras e com muita capacidade de imaginação. Mas vamos mudar de assunto, antes que os defensores dos chatos pudores reclamem ao Papa.
A maioria das vezes é composta de tudo o que não foi dito nem revelado e motivado por uma força interior astronômica e destrutiva que não deixa respirar nem adormecer por séculos a fio que desfia sem parar toda a teia disposta para os lados esquerdos das gerações passadas e descarnadas de amor próprio subjugado de infinitas possibilidades de olhares e sensações. Dê asas às palavras e veja onde você vai parar, ou melhor, não parar.
Descontrole e possessão. A água resplandecia diante da perplexidade que pairava em rostos disparatados e perdidos em belezas arriscadas e desnorteadas. Era tudo tão confuso que a própria ordem se fazia presente e dizia em altos brados que as fascinações do amanhecer dos dias diziam respeito apenas aos humanos cheios de alegria e respeito à vida.
Inveja é apenas a vontade disfarçada de podridão. A lama foi jogada no ventilador e o fedor se espalhou pela pequena sala lotada de armários e cadeiras e mais janelas do que portas, as quais não davam para nenhuma saída, apenas para outras muitas salas enfurnadas dentro de um prédio despossuído de calor vitalício e gelado.
O caminho de brasas se firmou de uma vez por todas a partir da encruzilhada com dezenas de direções. Era a escolha rindo na cara do destino. Ha-ha-ha...
A maioria das vezes é composta de tudo o que não foi dito nem revelado e motivado por uma força interior astronômica e destrutiva que não deixa respirar nem adormecer por séculos a fio que desfia sem parar toda a teia disposta para os lados esquerdos das gerações passadas e descarnadas de amor próprio subjugado de infinitas possibilidades de olhares e sensações. Dê asas às palavras e veja onde você vai parar, ou melhor, não parar.
Descontrole e possessão. A água resplandecia diante da perplexidade que pairava em rostos disparatados e perdidos em belezas arriscadas e desnorteadas. Era tudo tão confuso que a própria ordem se fazia presente e dizia em altos brados que as fascinações do amanhecer dos dias diziam respeito apenas aos humanos cheios de alegria e respeito à vida.
Inveja é apenas a vontade disfarçada de podridão. A lama foi jogada no ventilador e o fedor se espalhou pela pequena sala lotada de armários e cadeiras e mais janelas do que portas, as quais não davam para nenhuma saída, apenas para outras muitas salas enfurnadas dentro de um prédio despossuído de calor vitalício e gelado.
O caminho de brasas se firmou de uma vez por todas a partir da encruzilhada com dezenas de direções. Era a escolha rindo na cara do destino. Ha-ha-ha...
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