domingo, 9 de novembro de 2008

O pássaro e o navio

Um pássaro no rosto e uma idéia passeando por todos os escaravelhos e recantos ensimesmados e esnobes. Na estante, restou apenas o que era saudade. Mas do que foi vivido e não esquecido. Intempestivo, não soube apreciar a maravilha de viver apenas uma vez. Para quê mais? É uma oportunidade e nada mais. Que entendiante seria saber que eu teria outra e mais outra chance para refazer as cagadas espalhadas pela estrada tortuosa e inesperada.

O incerto do certo é a lucidez entranhada nos erros necessariamente indispensáveis.

A batina não serviu para transformar seu corpo em nada, apenas em tudo o que havia de mais rejeitado. De repente, nem ele sabia porque a usava.

Porque eu sou a insanidade e o espírito inquieto e peralta que perambula pelo mundo para perder e ganhar faz parte de um jogo intrincado e contente. É o saber da história guiando o leme do navio desgovernado. Esta é nossa vida. A metáfora do inexperiente navegante. Marujo, você nunca saberá o que há depois do horizonte.

Por fim, o final chegou e já não se ouvia mais nada. Muito menos o silêncio.

sábado, 8 de novembro de 2008

Otimismo

O aperto do aspecto espevitado furou o bloqueio bestial que havia sido hasteado no mais alto das injúrias. Mas gargalharei no final, mesmo que ele ainda não tenha chegado.

O triunfo já sou eu, por isso não o persigo. Como iria perseguir a mim mesmo? Não, eu o deixo livre para correr até por lugares lotados de gentes de todos os cantos e partidas. Destinos e chegadas.

A felicidade é tão simples. Como não conseguem perceber, meu caro amigo? Me olhou e não desviou da marcha lenta, porém contínua.

Desce uma caixa de cerveja, garçom!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Imagens

O que faz uma construção de imagens que nunca foram vistas? Por que o diferente causa tanto espanto? Quem foi que determinou o que é diferente ou não? Eu sou diferente por colocar em xeque a hipocrisia da igualdade? Igual a que? Igual a qual imagem? As pessoas se constróem até que ponto? Tem gente que parece ainda não ter aprendido...

A olhar.

A aceitar.

A tolerar.

A abrigar.

A socializar.

A amar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

éSSes

Serelepe.

Solto.

Sedento.

Subúrbio.

Segregação.

Semântico.

Sisudo.

Senil.

Sesta.

Sintoma.

Selere ao quadrado.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O corpo, a mente, o índio...

O corpo vai, mas a mente fica. Ela perambula e zanza incansavelmente por aí. Falando nela, hoje está cheia de idéias. Disse que está alegre até. Ao ver uma senhora com dificuldades de locomoção, deu um estalo nela [a mente]. E já foi viajar por aí. Ela é tão independente e insaciável às vezes. Foi, mas voltou rapidamente. É brincalhona também. Ou será, que o corpo não agüentou de saudades? Ah, mas isso é muito para minha cabeça.

Eu vi um índio hoje. Ele andava por entre imensos prédios. Mas ele estava no chão. Não parecia perdido não. Pelo contrário: parecia ter finalmente se encontrado. Ou não. Cadê a sua floresta e o seu corpo nu? Quem foi que comeu? Quem foi que usurpou? Quem foi o assassino? Quem foi o maldito ser humano responsável por tamanha calamidade planetária? [Isso tudo é minha mente viajando de novo. Está impossível, viu?!]. Talvez ele pensasse tudo isso também. Talvez minha mente tenha trocado uma idéia com a dele. Vai saber né?

Uma garotinha no alto de seus três anos, no máximo, tagarelava palavras desconexas e complicadas. Pelo menos, eu não entendia. Será que perdi a capacidade de entender o incompreensível e essencialmente profundo? Provavelmente, a linda garotinha cor de jambo quisesse exercitar a fala sem perder mais tempo. Afinal de contas, foram anos inteiros sem conseguir se comunicar. Será que ela será apresentadora de TV? Ou mais uma solitária errante por essas bandas daqui?

O que seria dito hoje ficará, sem muxoxos e reclamações, para amanhã. Ou depois de amanhã. Só a danada da minha mente poderá dizer com toda a certeza. Ela não me confirmou, mas como a conheço, digo: é difícil que ela rumine por muito tempo uma idéia. Ela vomita bastante. Quase ininterruptamente. Coitadas daquelas que não vomitam. Talvez já nasçam congeladas e inertes.

Nem um sim, nem um não. Nem talvez. Muito menos a vez. Apenas a hora é chegada de dizer: ver é mais subjetivo do que sentir, pois uma coisa é anterior à outra. Esta é a ordem desordenada do mundo. E ponto final. Ou talvez reticências...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vozes

Foi tão curioso. Ontem ouvi diversas vozes que pareciam desconexas. Falavam outras línguas e se misturavam umas nas outras. Fundiam-se e descontrolavam a sonoridade presente no ambiente conturbado e extasiado. Mas depois de botar muito reparo e atenção foi que passei a distinguir uma ou outra fala.

Noite divertida. Nem lembrava qual tinha sido a última...

Não será a última.

domingo, 2 de novembro de 2008

O passado da carta

A carta estava ali guardada e era como se implorasse para ser aberta e lida mais uma vez. Talvez tenha se sentido esquecida ou rejeitada. Relegada à um cantinho do passado onde tudo era novo e mais feliz. Ela também devia estar nostálgica da viagem que fez lá dos confins do Sul até aqui, onde estou. Mas como sou desorientado, nunca sei em que direção vou. Se é norte, sul, leste, oeste ainda é um grande mistério. Só sei que vou.

Portanto fui e peguei. Reli todinha. De cabo a rabo. Com seus pequenos errinhos que logo me saltaram aos olhos, pude relembrar. E foi bom. É ótimo quando o passado não pesa. Quando parece que ele foi realmente vivido. Apesar da boa lembrança, eu ainda estou aqui, sem saber a direção correta. Vou sendo levado apenas pelas brisas da natureza. Sou dela e vou para onde ela quiser.

Estou bem resolvido quanto à minha reconstrução diária. Será? Às vezes me sinto tão múltiplo e disperso, vários eus atuando em tantos sentidos. Estranho.

Acho que tem outro ser dentro de mim.

Sem duplas significações. [Esse eu desavergonhado e insaciável eu identifico e confirmo. Existe.]