A criança, enluarada e hipnotizada pelo belo satélite que ainda não estava cheio de si, fez uma pergunta qualquer e provocou a projeção de um filme na cabeça. Na minha cabeça. Nomeei aquilo de nostalgia de algo que ainda não chegou, ou que já passou há muito tempo, quando a consciência ainda não havia sido formada. O agogô e seu som metálico me surpreendeu de uma vez por todas, e me laçou no seu som envolvente e suingado. A música está em mim, assim como eu estou naquele pequeno objeto tão belo.
Mas a criança, agora outra, corria pela rua. Outras duas tomavam banho de mangueira. Ah, mais nostalgia. Imediatamente fui invadido por uma lembrança de uma fotografia, na qual o sorriso era tão gigante que quase tomava todo o enquadramento. Soma de passado e presente, é tão difícil dizer isso, mas é fato: o futuro não existe, pois ele é o presente que a gente mesmo se dá de presente.
Qual seu maior sonho? Todos são maiores e transbordam de mim como aquele rio sujo em dia de chuva na cidade grande, deteriorada pela ação vil e infame daquele e daquele outro homem. E daquela mulher também.
Frases soltas muitas vezes representam mais o mundo do que um simples sussurrar avantajado na sua vontade de segredar os principais detalhes da obra de arte exposta na rua, na frente de sua casa, no seu nariz ultrajante e arrebitado, que não vê senão seu próprio umbigo, contraditoriamente.
As borboletas voaram para longe. Eram de todas as cores, formatos e sonhos.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A crise
Alimento a crise dentro de mim, pois é dela que renasço a cada manhã. A cada manhã renasço da crise e alimento. Dentro de mim, alimento a crise a cada manhã. Renasço e alimento a crise dentro de mim, a cada manhã. Alimento dentro de mim, a cada manhã, a crise. A crise e o alimento, tudo renasce em mim a cada manhã. Alimento a crise, a cada manhã, que renasce em mim. Em mim, dentro, renasce a crise que alimento a cada manhã. Da crise renasço dentro de mim a cada manhã. Renasço da crise a cada manhã alimentada dentro de mim. Dentro de mim, a cada manhã, alimento a crise. De mim, dentro, alimento a crise a cada manhã.
A competência nem sempre vem acompanhada de uma boa avaliação. As perspectivas, agora, são infinitas, basta apenas saber fazer boas escolhas.
A competência nem sempre vem acompanhada de uma boa avaliação. As perspectivas, agora, são infinitas, basta apenas saber fazer boas escolhas.
domingo, 7 de dezembro de 2008
A caatinga
A caatinga. A catinga da pitangueira que reflorecia a cada entardecer. E o anoitecer baixou uma luz inebriante e conturbada. A brilhantina dos tempos áureos voltam sempre que é possível sonhar mais um pouquinho. Mas e quando a morte chegar? Não existe mais nada depois. Aí é só o vazio que prevalece? Pode acreditar que sim. Mas eu me sinto como um zumbi, sendo controlado por uma força incomum e não visível. A loucura? Depende do nível de saciedade do mundo que você tem, pois a fome de comer é diferente da fome de possuir. Transcendo para outros espaços, sem precisar me movimentar, sem sair do lugar, rastejando a palha seca atrás de mim. A tenda foi montada sobre mim e tudo pulsava incessante e desconexado de meus poros em fúria e em chamas. Tudo ardia como se a vida explodisse num grande impacto de verde e vermelho. E fogo. Para salvar a humanidade basta apenas uma pequena quantidade de sol e de reflexo do ouro. Apesar. Os pesares foram abandonados diante da dinastia errante e errada pela honras da casa. A casa onde sempre me senti eu. E ser eu foi um preço muito alto pago por continuar vivendo e ser feliz para sempre, pelo menos por um período comumente chamado de sempre, mas que dura tão pouco. É, o sempre dura muito pouco. Quem foi que o nomeou? Eu, o rei do mundo e de mim. Dos meus atos e dos meus disparates. Eu sou feliz. Eu sou um grão minúsculo de nada. Mas ao mesmo tempo eu sou tudo e um enxame de palavras toma conta de mim e exige: Fim. É preciso parar por enquanto, é forte demais para seguir de uma vez só... Apenas sozinho e só.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Dois copos de cerveja
Ao lado da garrafa de cerveja havia apenas um vazio. Um lugar vago que nunca antes foi ocupado. Então, como é que podia estar vago? O vazio só existe depois que um espaço foi preenchido por algo palpável ou não. Mas o fato é que ele queria dialogar com este vazio. Talvez assim a solidão fosse amainando aos poucos.
Você gosta de dançar? Sim. Você dança bem? Depende do ritmo. Do ritmo da vida? Não, dos acordes do violão mesmo. Mas se não tiver violão? Que seja de qualquer instrumento. Qual você prefere? A rabeca. O que é isso? Uma espécie de violino brasileiro. Bacana. É sim, bem bacana. Você sabe tocar? Não, mas ainda vou aprender. Quando? Em breve. Em breve quando? Quando eu construir uma e sair por aí tocando. Nossa, construir uma? Sim, construir uma nem custa tão caro assim. Como seria a vida sem música? Não haveria vida. Será? Tenho certeza, acredite nisso. Mas eu sou tão cético. Mas em algo você acredita, não? É, talvez. Tá vendo como você já começa a distinguir os contornos? Do quê? Do mundo. Que mundo? Do nosso, ora bolas. Nosso quem, cara pálida? Cara pálida não, eu sou negão. Me desculpe. Tá desculpado. O mundo é negro, sabia? Quem disse? Eu tô dizendo, acredite homem! A lua está tão linda. É verdade! O que deve estar acontecendo lá? Orgasmos múltiplos, é claro. Hã? Sim, o gozo de lá deve ser pleno para haver tanta beleza assim. E essas modelos magrelas ainda pensam que são belas, né? Mas o que é a beleza, meu caro? Não sei, só sei que é a melhor forma de ver o mundo: através das ínfimas belezas escondidas no óbvio ignorado por todos.
Ah, o óbvio.
Você gosta de dançar? Sim. Você dança bem? Depende do ritmo. Do ritmo da vida? Não, dos acordes do violão mesmo. Mas se não tiver violão? Que seja de qualquer instrumento. Qual você prefere? A rabeca. O que é isso? Uma espécie de violino brasileiro. Bacana. É sim, bem bacana. Você sabe tocar? Não, mas ainda vou aprender. Quando? Em breve. Em breve quando? Quando eu construir uma e sair por aí tocando. Nossa, construir uma? Sim, construir uma nem custa tão caro assim. Como seria a vida sem música? Não haveria vida. Será? Tenho certeza, acredite nisso. Mas eu sou tão cético. Mas em algo você acredita, não? É, talvez. Tá vendo como você já começa a distinguir os contornos? Do quê? Do mundo. Que mundo? Do nosso, ora bolas. Nosso quem, cara pálida? Cara pálida não, eu sou negão. Me desculpe. Tá desculpado. O mundo é negro, sabia? Quem disse? Eu tô dizendo, acredite homem! A lua está tão linda. É verdade! O que deve estar acontecendo lá? Orgasmos múltiplos, é claro. Hã? Sim, o gozo de lá deve ser pleno para haver tanta beleza assim. E essas modelos magrelas ainda pensam que são belas, né? Mas o que é a beleza, meu caro? Não sei, só sei que é a melhor forma de ver o mundo: através das ínfimas belezas escondidas no óbvio ignorado por todos.
Ah, o óbvio.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Surpresa
A pressão em minha cabeça não foi suficiente para eu perdê-la, afinal de contas tudo isso é aprendizado. Está tudo tão bom que eu não vou deixar a impulsividade dominar minhas veias. É preciso parar, pensar e ouvir os mais velhos. Muitas vezes eles se enganam. Mas é aí que nós, com o frescor da juventude, temos de assumir o controle da situação e tentar relevar certos gritos impetuosos. Eles são necessários para o fortalecimento contínuo da máquina que é a minha mente.
Dois dias de descanso? Imagina. Grandes acontecimentos. Grandes fechamentos de etapas. Grandes palavras. Grandes homens. Grandes mulheres. Grandes amigos. Grandes sorrisos.
Grande vida!
Dois dias de descanso? Imagina. Grandes acontecimentos. Grandes fechamentos de etapas. Grandes palavras. Grandes homens. Grandes mulheres. Grandes amigos. Grandes sorrisos.
Grande vida!
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Balançar
O balanço proporciona o sossego. O sossego, a calma. A calma, a prudência. A prudência, a sabedoria. A sabedoria, o acúmulo. O acúmulo, a gana. A gana, a guerra. A guerra, a morte. A morte, a vida. A vida, a floresta. A floresta, a pedra. A pedra, o caminho. O caminho, a possibilidade. A possibilidade, a fé. A fé, a mudança. A mudança, o sorriso. O sorriso, a dúvida. A dúvida, o perdão. O perdão, a majestade. A majestade, o poder. O poder, tudo.
A responsabilidade de viver e morrer é só nossa e de mais ninguém. Não a jogue para outras pessoas, santos ou divindades. Você é o que você pratica. Poutz, mas isso está tão auto-ajuda, e eu já ia me enveredando novamente pela negação permanente de Deus. Mas isso você já sabe.
A Lua veio me dizer que o amanhecer está próximo. A luz, que sou eu, será espalhada pelo resto e pelos cantos do mundo.
A responsabilidade de viver e morrer é só nossa e de mais ninguém. Não a jogue para outras pessoas, santos ou divindades. Você é o que você pratica. Poutz, mas isso está tão auto-ajuda, e eu já ia me enveredando novamente pela negação permanente de Deus. Mas isso você já sabe.
A Lua veio me dizer que o amanhecer está próximo. A luz, que sou eu, será espalhada pelo resto e pelos cantos do mundo.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Falta
O mês começa agora por aqui. A bodeação dos últimos dias talvez tenha sido acúmulo de devaneios não passados para o papel, não explicitados, não vomitados. A sensação de estranhamento de mim mesmo vai passando aos poucos. A adaptação vai acontecendo gradualmente. O elevador de estados de espírito ainda continua a descer e subir. Agora ele está no térreo. Estabilizado? Imagina. Daqui a pouco ele dá um forte impulso e sobe ao vigésimo andar. Talvez até mais.
A respiração está até mais tranqüila agora. Interessante isso. Muito interessante. Mas eu não quero esta abolição do trema; ele é tão charmoso. Essa inconseqüencia ainda vai nos trazer maus bocados. Escreva o que estou dizendo. E com trema, por favor. O sistema pode cair, e eu também. Mas está clara a diferença entre mim e ele, não é? Pergunto assim meio despreocupadamente, sem querer uma resposta de pronto. Você tem dois minutos para pensar.
Já reparou que as dores na coluna parecem nada quando a chuva cai lá fora e se está debaixo de um cobertor quentinho, assistindo um filme qualquer na TV à tarde. Se houver uma bela companhia ou uma companhia bela, como preferir, melhor ainda. Mas isso é tão romântico e não é isso o que me representa nos últimos dias. Mas algo consegue me representar completamente em alguns instantes ínfimos que seja?
O ritmo do frenesi que invadiu aquele homem ali passou desapercebido por todos. Ninguém o olhava mais, ele já não existia em carne e osso. Apenas seu nome permaneceu. Ah, a história. Quão leviana e instável ela é.
Ela se parece comigo e, talvez por isso, eu insisto em me jogar no seu rio escaldante de memórias.
A respiração está até mais tranqüila agora. Interessante isso. Muito interessante. Mas eu não quero esta abolição do trema; ele é tão charmoso. Essa inconseqüencia ainda vai nos trazer maus bocados. Escreva o que estou dizendo. E com trema, por favor. O sistema pode cair, e eu também. Mas está clara a diferença entre mim e ele, não é? Pergunto assim meio despreocupadamente, sem querer uma resposta de pronto. Você tem dois minutos para pensar.
Já reparou que as dores na coluna parecem nada quando a chuva cai lá fora e se está debaixo de um cobertor quentinho, assistindo um filme qualquer na TV à tarde. Se houver uma bela companhia ou uma companhia bela, como preferir, melhor ainda. Mas isso é tão romântico e não é isso o que me representa nos últimos dias. Mas algo consegue me representar completamente em alguns instantes ínfimos que seja?
O ritmo do frenesi que invadiu aquele homem ali passou desapercebido por todos. Ninguém o olhava mais, ele já não existia em carne e osso. Apenas seu nome permaneceu. Ah, a história. Quão leviana e instável ela é.
Ela se parece comigo e, talvez por isso, eu insisto em me jogar no seu rio escaldante de memórias.
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