Ele olhava pela janela... e pensava:
- Quanto tempo será que vou viver?
- Quanto tempo resta para ser feliz?
- O que é o tempo?
- Aquela florzinha ali vai durar até quando?
- E aquela árvore?
- E você?
- Todos correm lá fora.
- Minha mente corre.
- A sua corre?
- Em qual velocidade?
- O mundo é só mundo depois que foi desmundado de si mesmo.
- Que pensamento louco!
- Mas ser louco é tão saudável.
- Mas se você fosse louco não ficaria espalhando aos quatro ventos...
- Mas é só olhar para mim...
- Sinta esta sensibilidade exaltada aqui em minha veia.
- E em meus dedos, que não se submetem ao sono.
- Eles transitam por aí sem parar. Sem cansar.
- Assim como a mente. Que povoa tantos lugares, que nem percebemos quando isso acontece.
- Mas o que são os acontecimentos?
- É quando a gente nasce.
- Estreia?
- Também.
- Nasce e estreia.
- Mas isso é bem gay, não?
- Não. Lá na minha terra, a gente costuma dizer que simplesmente estreamos.
- Vocês?
- Sim. Somos um povo sensacional.
- Que legal. Quero conhecer este lugar.
- Então me conheça primeiro.
quarta-feira, 4 de março de 2009
terça-feira, 3 de março de 2009
Ele consegue...
Arrancar lágrimas só de ouvir sua voz. Seu timbre me entorpece de tal forma que eu perco os sentidos e a noção do que estou fazendo no mundo. Ele canta com o coração e com a alma, e consegue se aproximar do mundo, do meu mundo, de forma avassalaradora, sem pedir licença. Mas para quê? Com esta emoção desabrida e cumplicidade terna quem ligaria se ele entrasse por aquela porta sem se anunciar, sem dizer que está chegando, sem dar sinal... Há muito tempo ninguém conseguia me levar para lugares que ele me leva. É tão difícil colocar em palavras os sentimentos que nem sempre são dizíveis... Os acordes tempestuosos e tranquilos me invadem intensamente, derrubando todas as minhas defesas pré estipuladas. Não é um novo amor, mas bem que poderia ser. O amor que muitas vezes é incompreendido por aí e por aqui também. O amor que muitas vezes esquece de acontecer aqui e aí. O amor que muitas vezes é banalizado como a roupa em liquidação. O amor que muitas vezes significa um olhar de solidariedade. O amor que muitas vezes é melodramático. O amor que muitas vezes é só o amor. Que move montanhas e vai até Maomé. Ou quem quer que seja. Então venha até mim e mostre a sua emoção. É só o que peço. Você não terá outra chance.
Marcadores:
amor,
desabrida,
Ele,
Maomé,
sentimentos,
solidariedade
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Beleza
A mulher disse que ninguém vive de beleza. Mas tem gente que respira disso, sabia? Enlevadamente louca de tudo o que não foi declarado, ela disse: "A beleza é tão ferina quanto aquela pomba estatelada e estilhaçada no asfalto quente, pegajoso e cru". Cruel. A sensação de chorar e coçar é quase a mesma, já percebeu? Eu queria sair correndo por aí nesse dia lindamente ensolarado e estou aqui preso em mim mesmo, debilitado das forças que movem o meu cérebro. Neste instante, a mente e o corpo são entidades totalmente distintas.
Qual o problema de devanear? Não sei e também não compreendo porque é que tem que ter problema em tudo. Os riscos de se viver já não bastam? O problema é um risco, então? Ou apenas devaneios que criamos para tentar sobreviver dia após dia, com sentidos que tentamos incutir em nós mesmos, mas que não acabam passando de ilusões ternas e possantes.
E eu? Totalmente louco e despossuído de mim e de ti. Sem forças para me levantar daqui [ou daí?] e, ao mesmo tempo, tão másculo e forte, sem dúvidas fugitivas. Estou despido das dores que me carregavam para longe de todas as coisas que me afetam diretamente e me fazem acordar todos os dias, com sol ou com chuva, com céu ou sem céu, com lua ou sem lua, com mundo ou sem mundo, comigo ou sem você.
Sem você.
Qual o problema de devanear? Não sei e também não compreendo porque é que tem que ter problema em tudo. Os riscos de se viver já não bastam? O problema é um risco, então? Ou apenas devaneios que criamos para tentar sobreviver dia após dia, com sentidos que tentamos incutir em nós mesmos, mas que não acabam passando de ilusões ternas e possantes.
E eu? Totalmente louco e despossuído de mim e de ti. Sem forças para me levantar daqui [ou daí?] e, ao mesmo tempo, tão másculo e forte, sem dúvidas fugitivas. Estou despido das dores que me carregavam para longe de todas as coisas que me afetam diretamente e me fazem acordar todos os dias, com sol ou com chuva, com céu ou sem céu, com lua ou sem lua, com mundo ou sem mundo, comigo ou sem você.
Sem você.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
A Natureza chora
A Natureza chora de dor e eu de raiva de mim mesmo, por não fazer nada, por só contemplar. Admirar o que ainda resta. O pouco que resta. Um pôr-do-sol lá longe numa terra perdida. Um luar não muito longe de casa, entre os prédios da cidade. Uma chuvinha fina e barulhenta diante dos passos apressados dos moradores da grande pedra esculpida tão desordenadamente. Mas eu choro e me emociono ainda. A sensibilidade transborda até o topo do copo, ou melhor, do corpo, da mente e da existência.
Não canso de cansar de pensar e repisar na idéia de que o mundo caminha para a frente e para trás ao mesmo tempo. Será que ele não sai do lugar? Será que é coisa da nossa cabeça? Mas que cabeça, meu filho? Nós já a perdemos faz tempo. E o tempo machucou a boca daqueles que um dia duvidaram do esforço diário de manter-se acordado diante dos pileques e escorregões nas cascas de banana, que o povo [ah, sempre o povo, e eu também] jogou ali no meio da rua. Bueiro entupiu e o rato não escapuliu.
Mas outros ratos conseguiram escapulir e continuam a desmantelar tudo o que vêem pela frente. A gana de ganhar e gabaritar cada vez mais espaços deixou o homem burro diante de toda a sua inteligência, muitas vezes malignamente displicente.
Só comigo vai ficar pra sempre a noção de que nada pode ser tão complexo e belo quanto o tudo que habita nos poros dos corpos andantes e vacilantes por esta selva de ninguém.
Não canso de cansar de pensar e repisar na idéia de que o mundo caminha para a frente e para trás ao mesmo tempo. Será que ele não sai do lugar? Será que é coisa da nossa cabeça? Mas que cabeça, meu filho? Nós já a perdemos faz tempo. E o tempo machucou a boca daqueles que um dia duvidaram do esforço diário de manter-se acordado diante dos pileques e escorregões nas cascas de banana, que o povo [ah, sempre o povo, e eu também] jogou ali no meio da rua. Bueiro entupiu e o rato não escapuliu.
Mas outros ratos conseguiram escapulir e continuam a desmantelar tudo o que vêem pela frente. A gana de ganhar e gabaritar cada vez mais espaços deixou o homem burro diante de toda a sua inteligência, muitas vezes malignamente displicente.
Só comigo vai ficar pra sempre a noção de que nada pode ser tão complexo e belo quanto o tudo que habita nos poros dos corpos andantes e vacilantes por esta selva de ninguém.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Delgado
Os olhos pulsam, as pernas fraquejam, as mãos estão vermelhas, o coração também, a mente voa de vez em quando para ali e para aqui, mas sem parar de farfalhar por entre os escafandros jogados ao mar. Engraçada esta palavra. Escafandro. Você já percebeu que a minha relação com as palavras é íntima, burlesca e boêmia? Uma relação de amor e caos que devora tanto a mim quanto elas próprias, que não conseguem escapar da minha fiel intuição de jogá-las ao vento, ou aqui mesmo. Mas o espaço é tão subjetivo quando se trata de tudo isso, porque eu vou simplesmente falando, pensando, escrevendo, me metendo em tudo quanto é canto impuro e mundano de vida, de mim, do mundo, de tu, de nós. Nem ao menos um suspiro é capaz de esconder a lua que floreia por minhas entranhas de quando em quando, sem nem pedir licença. Vai adentrando pelas portas sem nem dizer adeus quando se vai, quando o dia chega, quando o sol entorpece meus neurônios de tal forma que o amanhã parece algo tão longe e ao mesmo tempo contundente que eu já não consigo mais falar, só olhar para o quanto fui tolo de pensar no amor como objeto de desejo incondicional. Ele apenas nos mantém vivos, só isso. Para quê procurar mais explicações inúteis? Quando tento encontrá-las acabo me perdendo nas ramagens duras e cruas de mim mesmo. Absenteísmo. Vou inventar uma religião com este nome, você vai ver. Isso. Você mesmo, aí. Não finja que não é com você. Agnosticismo é coisa do passado, agora eu surfo na crista da onda do absenteísmo. Ha-ha. Outra palavra hilariante e debochada.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Assobio
--------------------------Bio----------------------------------------
Aço ------------------------------------------------------ Assobio---
-------------Assanhado----------------------------------------------
Biologizado---------------------------- Assuntado-------------------
----------------------------Biscoito----------------------------------
---Biotônico-----------------------------Tonel-----------------------
----------Barricada--------------------------------------------------
Aço-------------------Assado----------------------------------------
-------------------------------Assobio-------------------------------
Aço ------------------------------------------------------ Assobio---
-------------Assanhado----------------------------------------------
Biologizado---------------------------- Assuntado-------------------
----------------------------Biscoito----------------------------------
---Biotônico-----------------------------Tonel-----------------------
----------Barricada--------------------------------------------------
Aço-------------------Assado----------------------------------------
-------------------------------Assobio-------------------------------
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Conjuntivite
A consciência da dor do outro me fez perceber que não somos nada além de pó materializado num corpo que muitas vezes se disfarça e pensa que é indestrutível. Corredores de hospital me fazem refletir sobre muitas coisas... Mas estamos em véspera de carnaval e você não vai ficar falando de hospital, não é? Lembra que é agora que devemos sair para a folia e voltar só depois da quarta-feira de cinzas? Quem me dera... ser um peixe.
Conjuntivite me lembra bem-te-vi. Por que será? Será a sonoridade? Ou talvez porque eu tenha visto um pássaro desses [ou escutado, já não sei mais] com meu olho vermelho e inchado, que transborda de vivacidade plena diante do inevitável e da fraqueza do corpo e da mente. Ah, a mente. E a alma? Você acredita? Mas não acreditar já é um atestado de que ela existe. Entende?
Não. Deixemos para as cenas dos próximos capítulos então, que se sucederão no dia...
Que eu quiser.
Conjuntivite me lembra bem-te-vi. Por que será? Será a sonoridade? Ou talvez porque eu tenha visto um pássaro desses [ou escutado, já não sei mais] com meu olho vermelho e inchado, que transborda de vivacidade plena diante do inevitável e da fraqueza do corpo e da mente. Ah, a mente. E a alma? Você acredita? Mas não acreditar já é um atestado de que ela existe. Entende?
Não. Deixemos para as cenas dos próximos capítulos então, que se sucederão no dia...
Que eu quiser.
Marcadores:
bem-te-vi,
carnaval,
conjuntivite,
dor,
hospital
Assinar:
Postagens (Atom)