quinta-feira, 25 de junho de 2009

Aos 21

Sonhei tanta coisa em forma de pensamento que quase não me lembro de ter dormido profundamente. Estava à margem do eu sonolento e não pensava em mais nada, a não ser a vida. Ou seja, pensava sobre tudo. E quando pensava, logo queria escrever. Mas quem disse que eu lembro das coisas que me assaltaram durante o sono? Nada! Deveria ter um caderninho ao lado, porque a cada sobressalto eu ia lá e escrevia uma ou outra palavra. É, boa ideia. Quem sabe amanhã. Ou hoje à noite. Ou de madrugada. A vigília nem sempre é derradeira e finita.

Talvez fosse ansiedade. Talvez fosse a maturidade. Talvez fosse a precocidade. Talvez fosse os desejos ininterruptos. Talvez fosse a vontade insana de voar para longe. Talvez fosse a certeza de que o perto vale mais a pena. Mas por um momento tirei da cabeça os talvezes e mirei a certeza dentro de mim: é hoje, mais um ano, mais 365 dias. E aí? O que isso importa? No quê isso faz tanta diferença? Sei lá, essas indagações sempre estão pairando por aqui, mas não exigem respostas absolutas. Elas só são indagações. Mas o que é mais importante então?

As letras? As pessoas? Os amigos? O mundo? A confiança? O respeito? A vida? Tudo se encontra e se contradiz. Tudo sou eu a partir do momento que eu assumo que o eu é essencial para o coletivo. Que o eu está aqui não apenas para ser eu, mas para ser todos. Ser um cara de 30 e uma criança de 5. Ser um idoso de 80 e um jovem de 21 alucinado pelas expectativas de alcançar o infinito. Um suspiro e daqui a pouco serão mais 365 dias corridos, úteis e necessários. Mais 365 para repensar o meu papel aqui nestas esquinas fartas de vida e amor.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dia nublado

Sentir é tão complexo, mas tão complexo...
É complexo mesmo. De verdade. Não duvide. Não duvido.
E tão complexo quanto tirar um cochilo depois do almoço em uma grande cidade.
É preciso pegar na enxada. Não todos os dias... Ou sim. É urgente fugir da cidade. Fugir de vez em quando. Sabe por quê? Porque a cidade já está entranhada aqui. Mas será que é impossível? Imagina. É possível e necessário. Mas só em alguns momentos. Será que é este o momento? Talvez não. Acho que não. É bem possível que não. Porque a vida aqui não está de todo ruim. Não mesmo. O otimismo exacerbado talvez contribua para isso...
Talvez.
Otimismo perante a vida. Otimismo perante o outro. Otimismo perante o eu irregular e inconstante.
Enquanto espero a música, danço a vida com o jogo de cintura que me foi concedido.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Mente poderosa

A corda bamba anda mais equilibrada ultimamente. O que será que está acontecendo? Não falo de mesmices. Eu falo de encontros com a essência. Estou de cara com a minha. De cara mesmo. Passadamente passado. E me pergunto novamente: o que será que está acontecendo? É bem possível que eu já tenha a resposta, mas é tão bom fingir que eu não sei... Não saber é tão bom. As pessoas precisam experimentar mais isso. É o lance da crise que eu sempre digo. Buscar sempre e não encontrar jamais. Essa crise é das boas! Melhor do que o balanço da gangorra, melhor do que os altos e baixos da montanha-russa, melhor do que um domingo preguiçoso ao lado da pessoa amada, melhor do que o sorriso de uma criança. Melhor do que o sorriso de uma criança? Ah, também não exagera!

domingo, 21 de junho de 2009

Cheiros e sensações

Sem pesos na consciência, me deitei, relaxei e repassei pela memória tudo o que tinha acontecido naquele dia. O corpo estava cansado, mas a vontade de fazer cada vez mais e melhor não me deixava em paz. É tão íntimo, singular e transformador que muitos não entendem. Ou não querem entender. Eu entendo. E te digo: há muitas coisas melhores nessa vida do que dinheiro. Se você não descobriu ainda, sugiro que faça um esforço a mais para encontrar a linha que segue até o horizonte de possibilidades incomparáveis, únicas. Densas. Tudo foi muito denso. Essa é que é a verdade. Até os arroubos de irritação. Os abraços contundentes (aqueles que te fazem sentir com a alma mais leve). Os olhares e as pessoas que estavam ali, com expressões que iam do espanto à admiração. A praça é nossa e não tem mais volta. A união vai prevalecer e o desejo de mudar vai continuar aqui. Pelo menos enquanto houver a chama da vida acalentando os mais belos princípios. As escolhas têm que ser feitas. Fiz a minha. Não me arrependo. Não há mais como retornar. Esse cheiro, essa sensação jamais sairão deste corpo e desta mente que vos fala. Nunca. Levo as mãos à cabeça, olho para o céu (esta noite não tem luar) e agradeço por ter visto a transformação acontecendo a um palmo do meu nariz. Mais uma vez.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Crepitando

O garfo. O fogo. A vontade. A resistência. A pipoca. A panela. As pessoas. As cadeiras. Os banquinhos. Os cantinhos. Os gravetos. A emoção. A imaginação. O macarrão. O crepitar. O fogo de novo. As palavras. O comum. O primordial. Os amigos. A fome.
O cheiro.
A fogueira estava lá e não discordou em nenhum momento dos presentes. Apenas se manteve neutra, tão neutra quanto um raio de luar. O seu fogo hipnotizava a todos ao seu redor. Era uma brincadeira eterna. Brincar com fogo faz lembrar a infância. Os tempos que já foram, mas de qualquer forma continuam nos rodando por toda a vida.
Os troncos e gravetos viram brasas incandescentes rapidamente. É o nosso calor. Ou melhor, o calor da mãe natureza. Depois de virar brasas vivas, elas viram cinzas. E talvez ainda renasçam para uma nova vida, numa encarnação (ou embrasação) perene e inflexível.
Esqueço até da música, pois as outras dimensões me assaltam. Aterrissam em mim como se fossem deusas onipotentes e oniscientes. E o pior (para mim) é que são mesmo. Vai saber.
Nos últimos dias... ah, estou fazendo sim. Fazendo o que senti vontade desde a primeira vez. Experimentar. É preciso experimentar a vida, mesmo naqueles lugares que parecem despossuídos dela.
Experimente a vida, antes que ela te experimente. E acabe com você de uma vez por todas.

sábado, 13 de junho de 2009

Sopa no barco

Fome. Fome. Fome. Um monte de fome. E uma sopa aqui na frente. Está tão deliciosa. Mais deliciosa do que o dia de hoje? Duvide-o-dó! Apenas um complemento da noite anterior. Você nem imagina sobre o quê eu estou falando. E isso me faz gargalhar ainda mais aqui por dentro. A-ha-ha-ha-ha. Não me localizo neste espaço. Não me pertenço a isto. Estou em outra dimensão. Ouço ruídos de lá, mas não tão perceptíveis. Nem um pouco parecidos com aqueles que nós produzimos, mais em nossas cabeças devaneantes do que ali fisicamente falando. Mas que a energias estavam boas, ah, isso estavam. Para lá de de boas. Enquanto isso a sopa dá uma esfriada. Mas a fogueira está lá para alimentar nossas veias artísticas. Sim, porque é preciso ser artista, seja lá de que tipo for, para viver por estes percalços mil. Sabia que eu pensei que algumas palavras e combinações desta frase anterior aí jamais poderiam ser lidas por um gringo? Ela é só nossa! Todos os seus vértices e cheiros. Cores e formas. Cada traço é totalmente nosso. E aí que me dá mais vontade ainda de gargalhar. Por dentro. Por fora. Pelos lados. Pelas dimensões possíveis e imagináveis, mas definitivamente essenciais para um caráter menos falso de se viver. As coisas nem encontram mais lados por onde escapar. Estão todos entupidos, de outras e mais outras palavras, que correm em busca do seu cultuado prêmio, como se fossem milhares de espermatozóides em disparada para alcançar o segredo absoluto da vida e da morte. Agora o sono embarca... E levou o barco embora.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

À beira

Às vezes a solidão é tão penetrante que é como se você sentisse que o frio está tão entranhado na sua alma, que jamais, nunca mais!, conseguirá aquecer o jardim dos desesperos. Mas logo o vento passa e vira a página e leva para longe o que há de mais perto possível. O perto disfarça tão bem a sua distância...

A margem vista daqui parece tão extensa, mas tão extensa que meus olhos se perdem em suas curvas sinuosas, que mais parecem o meu estado de espírito. Elas somem e reaparecem fulgurantes. A água é límpida. Curioso. Fiquei bem curioso porque aquilo parecia um sonho que eu tive por esses dias aí... Não lembrava tão claramente, mas ele estava ali na frente. Tinha se materializado. Era impressionante...

Ainda bem que ainda conseguia me surpreender. É que eu já não lembrava de como é bom lembrar. De como é bom ser sincero, ouvir vozes cortantes, sentir o sol bater na janela pela manhã, sentir a brisa uivar pelas frestas da janela...

Pelas frestas da minha janela passam tantas brisas, mas poucas permanecem. Assim, os porquês ficam cada vez mais indecifráveis...