O que é certo? O que é regra? O que foi estabelecido? E por quem foi? Por nós? Desde criança? Quem disse? É sim. Então saia na rua pelada. Eu não. Nunca. Por quê?
Ué, mas eu mijo na rua. Mas você é homem.
E eu sou mulher.
Poizé. Ontem mesmo estava voltando para casa depois de tomar umas cervejinhas naquele bar ali [na verdade o bar era mais longe]. O ponto do ônibus estava vazio. Chovia naquela noite. Minha bexiga estava cheia já. Ninguém mandou eu abrir a torneira já no boteco. Mas eu não aguentei e coloquei para fora e fiz ali mesmo. Uma moça passou. De onde ela surgiu? Vai saber. Mas eu continuei no meu ato insano e descabido. Sim, descabido, mesmo sendo homem, a quem é legado vários privilégios. Fiz e desfiz. E fiquei satisfeito. Ah, como foi bom.
Foi tão bom quanto andar pela rua pelado. Ou nadar pelado no mar. Você já fez isso?
Então faça enquanto há tempo, vida e disposição juvenil.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
domingo, 25 de janeiro de 2009
Andarilho
São apenas e tão somente 455 anos. Pouco para uma cidade tão densa e complexa como a nossa. Com suas curvas, arranha-céus, vielas, periferias, centros, casarões, desigualdades, correria, pobreza, riqueza, contrastes, coloridos. Com o seu cinzento inquietante, ela vai construindo a hitória de muita gente e a sua própria. Vai armazenando formas de ser e permanecer. Mas nunca consegue permanecer em um único lugar. Pois ela é constante. A palavra transformação já perdeu o seu significado e daqui a pouco passará a chamar-se São Paulo. Escuta o que estou dizendo.
Mas são as crianças que me comovem e me inspiram constantemente. Seus sorrisos. Seus gestos singelos. Seus olhares inocentes. Assim como eu. Pretensão me comparar às crianças? Talvez. Mas entre eu e elas existe uma ligação tão forte que é tão natural e ao mesmo tempo estranha. Não é preciso fazer muita coisa. Simplesmente pareço ter mel quando chego perto delas. Outro dia mesmo estava brincando de esconde-esconde com uma delas. Pode uma coisa dessa? Pode. E como pode. Foi tão divertido, mesmo ela não sabendo se esconder direito. Eu sempre a achava com facilidade. Naqueles instantes eu só tinha quatro anos também. Voltei no tempo. No tempo que ficou guardado dentro de mim e talvez seja o meu grande tesouro. Não digo aqui de ficar relembrando e vivendo de passado, mas de guardar aqueles momentos que foram essenciais e inesquecíveis. Somos a soma de tudo isso.
Ah, o garotinho me olhou do trem que acabava de sair da plataforma. Ele ia no sentido contrário ao meu, mas ainda assim estávamos intimamente ligados, sem mesmo ter trocado uma palavra sequer. Apenas olhares tímidos. Ele devia ter, no máximo, uns sete anos. Naquele fugaz relâmpago [mais tarde começaria a chover] fomos bons e grandes amigos. Mesmo que o sorriso não tenha saído desabrido como costuma sair nestas ocasiões, ele entendeu que eu correspondi sua vontade de firmar uma amizade. Fomos amigos. Somos amigos. Levou uma parte de mim. Um pedacinho seu ficou aqui.
E o povo deste lugar, onde está? Em casa. A TV. Assistindo. Quem os assistirá? Até quando serão figurantes de seus próprios destinos [mesmo que eles existam só dentro de nossas cabeças]? Até quando o tempo será gasto na preocupação de não se molhar enquanto chove torrencialmente? É preciso tomar banho de chuva de vez em quando. É tão bom. E a vida é tão vulnerável. Amanhã já não sei se sou ou serei. Então banhe-se com o dilúvio puro e caiba em si mesmo de tanta felicidade.
Mas são as crianças que me comovem e me inspiram constantemente. Seus sorrisos. Seus gestos singelos. Seus olhares inocentes. Assim como eu. Pretensão me comparar às crianças? Talvez. Mas entre eu e elas existe uma ligação tão forte que é tão natural e ao mesmo tempo estranha. Não é preciso fazer muita coisa. Simplesmente pareço ter mel quando chego perto delas. Outro dia mesmo estava brincando de esconde-esconde com uma delas. Pode uma coisa dessa? Pode. E como pode. Foi tão divertido, mesmo ela não sabendo se esconder direito. Eu sempre a achava com facilidade. Naqueles instantes eu só tinha quatro anos também. Voltei no tempo. No tempo que ficou guardado dentro de mim e talvez seja o meu grande tesouro. Não digo aqui de ficar relembrando e vivendo de passado, mas de guardar aqueles momentos que foram essenciais e inesquecíveis. Somos a soma de tudo isso.
Ah, o garotinho me olhou do trem que acabava de sair da plataforma. Ele ia no sentido contrário ao meu, mas ainda assim estávamos intimamente ligados, sem mesmo ter trocado uma palavra sequer. Apenas olhares tímidos. Ele devia ter, no máximo, uns sete anos. Naquele fugaz relâmpago [mais tarde começaria a chover] fomos bons e grandes amigos. Mesmo que o sorriso não tenha saído desabrido como costuma sair nestas ocasiões, ele entendeu que eu correspondi sua vontade de firmar uma amizade. Fomos amigos. Somos amigos. Levou uma parte de mim. Um pedacinho seu ficou aqui.
E o povo deste lugar, onde está? Em casa. A TV. Assistindo. Quem os assistirá? Até quando serão figurantes de seus próprios destinos [mesmo que eles existam só dentro de nossas cabeças]? Até quando o tempo será gasto na preocupação de não se molhar enquanto chove torrencialmente? É preciso tomar banho de chuva de vez em quando. É tão bom. E a vida é tão vulnerável. Amanhã já não sei se sou ou serei. Então banhe-se com o dilúvio puro e caiba em si mesmo de tanta felicidade.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Sereno
Sensato e embasbacado com o mundo, ele se levantou e quis continuar catando as migalhas no chão, que caíam sem dó nem piedade. Catava as folhas das árvores também. No inverno. Mas tinha folhas? Lá tinha. E também tinha um som diferente. Malemolente. Displiscente. Envolvente. Diziam que o dono do pedaço atendia por Miles Davis. Não conhecia, mas desde os primeiros acordes, percebeu que o homem não era só dono do pedaço, mas do mundo inteiro.
A sensibilidade encrustada no pedregulho que preenche o coração dos carrancudos estava paralisada. Diziam que era para sempre. Mas você sabe que nada é para sempre. As pessoas gostam muito de falar. Dois ouvidos para quê?
O suingue corre nas veias como a mais letal e estonteante e maravilhosa das drogas da vida. Sem moralismos e hipocrisias. A celebração com confetes está próxima.
A sensibilidade encrustada no pedregulho que preenche o coração dos carrancudos estava paralisada. Diziam que era para sempre. Mas você sabe que nada é para sempre. As pessoas gostam muito de falar. Dois ouvidos para quê?
O suingue corre nas veias como a mais letal e estonteante e maravilhosa das drogas da vida. Sem moralismos e hipocrisias. A celebração com confetes está próxima.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Filme
Viver é dormir no trecho final do filme sem saber o desfecho. E depois dormir um sono gostoso enroscado nas cobertas, em uma noite gélida e aconchegante. E não ter hora para acordar. E ter como compromisso apenas o norte de seguir adiante, mesmo que não se saiba para onde o adiante irá nos levar.
Mas...
Não é preciso, nem recomendado, que se faça da vida um filme, para ser assistido de camarote ou na melhor poltrona do cinema. O filme é o trajeto realizado todos os dias. Todos são despropositais. No mundo não há sentido. Nós é que damos a ele ordem ou caos.
Caos...
Ordem...
Nada.
Mas...
Não é preciso, nem recomendado, que se faça da vida um filme, para ser assistido de camarote ou na melhor poltrona do cinema. O filme é o trajeto realizado todos os dias. Todos são despropositais. No mundo não há sentido. Nós é que damos a ele ordem ou caos.
Caos...
Ordem...
Nada.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Ralação SP
O grande barato do desejo está em ser desejado.
As texturas puderam ser sentidas ao vivo. As relações são muito mais verdadeiras quando colocadas lado a lado de forma contundente e real. A realidade, ou uma das realidades, é possivelmente a melhor forma de se viver nesta cidade.
Nesta cidade que me transforma e me inquieta com suas sombras. Suas feições. Sua falta de senso. Sua forma disforme. Sua beleza obtusa. Sua dureza carinhosa. Seu carinho obsceno. Seus prédios infames. Suas construções distintas. Sua aura de vivências.
Fico até zonzo só de pensar no que é viver nesta cidade...
As texturas puderam ser sentidas ao vivo. As relações são muito mais verdadeiras quando colocadas lado a lado de forma contundente e real. A realidade, ou uma das realidades, é possivelmente a melhor forma de se viver nesta cidade.
Nesta cidade que me transforma e me inquieta com suas sombras. Suas feições. Sua falta de senso. Sua forma disforme. Sua beleza obtusa. Sua dureza carinhosa. Seu carinho obsceno. Seus prédios infames. Suas construções distintas. Sua aura de vivências.
Fico até zonzo só de pensar no que é viver nesta cidade...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Longevidade
Ser perene é perceber que tudo está perecivelmente fadado ao cansaço das tentativas mal-sucedidas e sacudidas por ondas que cobrem tudo aos borbotões, sem pestanejar e sem respeitar a pequenez da existência humana.
As máquinas, lideradas pela TV, vão liquidar e dominar os homens. Verbo no futuro, pois ainda não é hora da dominação imunda e completa e imune a contra-ataques. Oh, pobres mortais. Nós!
As máquinas, lideradas pela TV, vão liquidar e dominar os homens. Verbo no futuro, pois ainda não é hora da dominação imunda e completa e imune a contra-ataques. Oh, pobres mortais. Nós!
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domingo, 18 de janeiro de 2009
Grandeza
Mas agora eu estou é emocionado com imagens vistas e identificadas com minha personalidade de tal forma que as lágrimas pingam de meu rosto frágil e comedido, e precipitado de emoções que não conseguem se esconder. Mas se eu sou assim, o que é que vou fazer?
O banheiro tinha as paredes pintadas de amarelo. Assim que olhei percebi e senti que ali havia muitas histórias para serem contadas. Secretas? Sim. Mas histórias. Levadas para todo canto por quem as viveu.
O mundo gira como um peão fora do eixo, como um brinquedo que fugiu do dono e não soube mais voltar pra casa.
O amigo permaneceu inquieto provocando revoluções permanentes e amores profundos.
A mulher chorava copiosamente. Ela me fez repetir o mesmo ato por dentro. Não havia lágrimas? Havia sim. Apenas não tinha coragem de mostrar em público, como ela fazia. As minhas lágrimas sagradas e perenes de erros e acertos, entrameados de vida.
A grandeza de ser aquilo que não se sonhou torna-se praticamente uma perseguição profícua e, ao mesmo tempo, inútil. A vida é pra amanhã. E o amanhã não existe, acredite.
O banheiro tinha as paredes pintadas de amarelo. Assim que olhei percebi e senti que ali havia muitas histórias para serem contadas. Secretas? Sim. Mas histórias. Levadas para todo canto por quem as viveu.
O mundo gira como um peão fora do eixo, como um brinquedo que fugiu do dono e não soube mais voltar pra casa.
O amigo permaneceu inquieto provocando revoluções permanentes e amores profundos.
A mulher chorava copiosamente. Ela me fez repetir o mesmo ato por dentro. Não havia lágrimas? Havia sim. Apenas não tinha coragem de mostrar em público, como ela fazia. As minhas lágrimas sagradas e perenes de erros e acertos, entrameados de vida.
A grandeza de ser aquilo que não se sonhou torna-se praticamente uma perseguição profícua e, ao mesmo tempo, inútil. A vida é pra amanhã. E o amanhã não existe, acredite.
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