Toques e reverberações. Energias e sonhos. Lágrimas e suor. Pingos de chuva e orvalho congelado. Amor fraterno e leveza de alma. Encontros e perdão. Divagações e esperança. Poder e pernas firmes. Senso de direção aguçado e esquinas inclinadas. Sentimentos pela rua e corpos em contato físico e psíquico. Transformação solitária e cheia de amigos ao redor, tudo ao mesmo tempo e agora.
O interfone toca. Um momento. Já volto.
Passeio. Dormi tão profundamente que fui transportado para dentro de mim. Quer dizer, para fora. Para dentro? Ih, já não lembro mais. O que sei é que eu vi meu corpo flutuando. Quer dizer, não era o corpo que flutuava, era eu, entende? Era eu na forma mais fugidia e serena que você pode imaginar. Era como se eu dançasse em cada acorde daquela bela canção. É, aquela mesma que não consigo parar de ouvir. Perdi as contas de quanto falta para viver ainda... Mas quem é que sabe? Mas por que ter pressa? Por que correr, se você pode analisar melhor o caminho que tem pela frente?
Estava cá a refletir... refletir sobre mim, sobre a vida, sobre as pessoas... E estou otimista. Fui tomado de esperanças (elas vieram de todos os lados possíveis e imagináveis), e logo fui envolvido em mim mesmo, na minha própria fé... fé na vida, fé na natureza, fé em tudo o que respira e transcende o asfalto...
Me sinto como se fosse um grande saco plástico, sendo inflado como um monumental balão. O material é frágil, mas o conteúdo (o sopro) é eterno.
sábado, 30 de maio de 2009
quinta-feira, 28 de maio de 2009
(des)Esperado
Sabe o desespero? Então, o desespero. Mas não o desespero tão desesperado assim. É um desespero quase sutil e íntimo. Não revelado nem para quem o sente. Talvez esse desespero seja ainda pior, porque alimenta as entranhas de medo e de desejos reprimidos. Esmurre a porta e saia daí de dentro. Já. Escreva. Borre estas linhas insanas de libertação. Borre a vida de mais vida. Não desista de escrever. Não desista de tentar. Não desista de amar. Não ainda. Não agora. Não. Mas o desespero se aloja como uma bala que vai semeando a destruição onipresente e onipotente na vida de pobres mortais como nós. Canso de dizer que não há sentido em tudo isso. Mas por que procuro então? Por quê? Por que me alimento diariamente de esperanças despretensiosas? Por que tento construir um otimismo como um castelo de areia? Provavelmente porque já nasci com ele. E daí? Se sua mente é perturbada, use isso a seu favor. Se apaga tudo isso tantas vezes seguidas, é por que não tem certeza do que pensa e do que fala? Não necessariamente. O suspiro nem sempre é de dor, não é verdade? O suspiro nem sempre é de lamento. As confusões nem sempre são mal-vindas. Mas plantei uma árvore. E ela floresceu. E deu tantos frutos que tive de estocar uma parte e distribuir outra. E o sonho acabou. E os pensamentos retornaram. E o desespero voltou a afligir. Mas logo foi embora. Assim é bom. Ou não. A angústia de viver jamais será revelada diante de corações não sinceros e dissimulados. Escute bem: JAMAIS.
Enquanto me desespero, espero.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Samba seco
Cutuque o estômago. E não sambe ainda. Não saia por aí dando voltas. Não ainda. Não agora. Se adiantasse esperar, os urubus atacariam mais cedo ou mais tarde. É mais provável que fosse mais cedo.
Amanse o gado. Amanse a alma. Amanse os céus. Amanse a fera. Amanse o sol. Amanse a lua fulgurante. Amanse o dia. A noite. O chão. A floresta. A coruja. O rato. Os olhos. Menos a cantoria. Esta tem que ser gritada e esperneada na cara de quem vive sem música. Como pode? Como deve? É proibido! E eu estou dizendo e registrando. Registrando para amanhã. Não para hoje. Nem para ontem. Sempre para amanhã.
Você viveu hoje! Ou não? Ou apenas passou pelas horas, minutos e segundos sem perceber que o dia era pra ser vivido hoje e não amanhã... Percebeu? Comeu? Roncou? Sofreu? Resvalou? Calou?
Silêncio. Até os pássaros fizeram o pacto. O pacto do silêncio ensurdecedor.
Amanse o gado. Amanse a alma. Amanse os céus. Amanse a fera. Amanse o sol. Amanse a lua fulgurante. Amanse o dia. A noite. O chão. A floresta. A coruja. O rato. Os olhos. Menos a cantoria. Esta tem que ser gritada e esperneada na cara de quem vive sem música. Como pode? Como deve? É proibido! E eu estou dizendo e registrando. Registrando para amanhã. Não para hoje. Nem para ontem. Sempre para amanhã.
Você viveu hoje! Ou não? Ou apenas passou pelas horas, minutos e segundos sem perceber que o dia era pra ser vivido hoje e não amanhã... Percebeu? Comeu? Roncou? Sofreu? Resvalou? Calou?
Silêncio. Até os pássaros fizeram o pacto. O pacto do silêncio ensurdecedor.
domingo, 24 de maio de 2009
Máscaras no metrô
O frio friorento. A neblina densa. A serra sem árvores. O despenhadeiro sem fundo. O mar sem Iemanjá. A vida sem música. A tristeza sem motivo. O motivo de andar pelas ruas da cidade, ensandecido e disforme, não se explica por si só, nem de qualquer outra forma. Os rostos no metrô também não conseguem responder aos questionamentos daquela pequena criança em crise. Criança em crise? Os tempos mudaram mesmo, não é? Pois então, ela estava em crise. E tinha apenas oito anos. Tinha acabado de completar. Não ganhara presente. Era muito simples. Era tão modestamente simples que não gostava nem de pensar em ser rica algum dia. Na chaminé dos seus sonhos não via escapatória para um mundo melhor. Pensava que mais cedo ou mais cedo se tornaria mais um objeto nas mãos daquela sociedade que não a compreendia. Falo dela, mas também falo de ti. Num dia ainda distante você irá me dar razão. Quando faltar a água de beber e a água de abençoar. Não haverá... Não haverá... Fugiu. Ficou. Errou. Não aprendeu. Afinal de contas, não haverá... Só haverá. Só haverá choro e velas. E deserto. Os corações ficarão desertos de sangue e de ar... O ar faltará. Não haverá. O céu finalmente revelará a ilusão que sempre personificou... O céu. E Deus. Não haverá...
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Fuja enquanto há tempo
Os sons da caixinha de música não me espantam, me enlevam em sua beleza serena das noites enluaradas e mornas. A brisa vem balançar os seus cabelos de vez em quando. Mas só muito de vez em quando mesmo, porque eu olho feio e ela logo muda seu rumo. Na sala escura do cinema, ele se diverte. Ri às gargalhadas. Quer dizer, nem tanto assim. Mas ri. Se diverte de verdade. Sorri e se emociona. Também, com aqueles poemas musicados todos pulando diante de seus olhos sem descanso, não poderia ser diferente. Diferente... Você é diferente, sabia? Diferente de tudo o que existiu. Mas mesmo você não existindo em carne e osso e detalhes desinteressantes, está aqui comigo... seja por meio de seu timbre que sonhei na outra noite, ou pelo perfume que senti na rua outro dia, sem poder identificar o portador. Mas a poesia está aí, basta você abrir seus olhos. E seus poros também. Abra sem medo. Abra sem preconceitos. Abra os braços e corra velozmente pelos campos verdejantes da imaginação sem cabrestos. Mais quer dizer mais e mais. Mais toques, mais cheiros, mais lábios, mais faces, mais passos, mais ruídos, mais olhares piscados, mais compreensão diante da folha que cai da árvore solitária na calçada. Ninguém a olha. Ninguém a sente. Ninguém a nota. O que eles anotam são seus compromissos super importantes da sexta-feira lotada de afazeres. E a vida passa. Veloz. Curta. E contundente. Ela passa e você nem percebe. Nem a olha. Nem a sente. Nem a nota...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Fazia tempo que não estava...
... naquela biblioteca onde foram construídos diversos sonhos e alimentada a esperança de que as letras um dias seriam minhas melhores amigas. Amigas tão íntimas que elas não se desgrudam nem durante o sono, nem durante o amor. Por sinal, o amor é repleto de letras e símbolos. Letras não faladas. Letras não reveladas. Letras que ficam para sempre debaixo dos lencóis brancos.
Cada livro e cada cheiro daquele lugar me levaram de novo para aquele mundo, para aquela época, para aqueles anos tão conturbados em minha estada neste mundo. É claro que o espaço passou por transformações, mas o clima continua o mesmo. As prateleiras estão repletas de lembranças e obras nem sempre em bom estado, algumas bem velhas mesmo, caindo aos pedaços. Até nisso elas conseguem nos dizer algo.
Falando nisso, acho que conversei com tantos livros hoje... Conversei por meia hora. Meia hora? É, não sei ao certo. Acho que foi isso. Aquele mundo parecia tão perfeito, que eu senti vontade de ser só um livro numa estante. Já pensou em ser um livro? Que livro você seria? Talvez eu fosse Robinson Crusoé ou algum da série Os Karas, de Pedro Bandeira. Ou ainda um livro cujo protagonista fosse Hercule Poirot, o famoso detetive dos romances policiais da grande Agatha Christie. Quanta saudade. E sempre que falo de livros eu lembro daquela que me fez tomar gosto e sede por eles.
Ô Milla querida. Te dedico. Para sempre em mim.
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Faz tempo que não vejo
Fui assaltado. Calma, calma. Nada grave do ponto de vista físico. Fui assaltado pela minha memória, que vez ou outra costuma funcionar. E lembra de coisas que julgava já esquecidas por séculos. Sim, porque o sistema de contagem aqui é outro, indecifrável por você, mas totalmente claro para mim. É bem possível que eu já tenha vivido dez séculos ininterruptos. Claro que são ininterruptos né, ou você acha que terá chance de ir e voltar quando bem entender? Ah, vai saber... Essa vida é tão louca que eu não me arrisco a construir paradigmas absolutos.
Mas então, tenho certeza absoluta que lembrei de tudo aquilo. De detalhes. De toques. De cheiros. De olhares. De bocas. E de outras tantas enumerações que podia passar o dia inteiro aqui só para falar de cada uma e de todas. De todas as emoções sentidas olhando para as janelas dos apartamentos daquele prédio diferente e simplório, incrustado no meio dos ares culturais da cidade. Parece que faz tanto tempo já. Como está? Com quem está? Está vivo? Está trabalhando? Está amando? Está vivendo? Está respirando? Eu estou, então provavelmente deve estar também. É a lei da vida. Ou vive ou vive, enquanto há vida, obviamente.
No entanto, a lembrança não vem acompanhada de lamento. Foi o melhor que fiz. Que fizemos. Que desabafamos. A separação é o pulo para o crescimento (mas que papo de divorciado é esse? Você nunca se casou!). Enfim, dê o pulo antes que o pulo se dê por conta própria.
Mas então, tenho certeza absoluta que lembrei de tudo aquilo. De detalhes. De toques. De cheiros. De olhares. De bocas. E de outras tantas enumerações que podia passar o dia inteiro aqui só para falar de cada uma e de todas. De todas as emoções sentidas olhando para as janelas dos apartamentos daquele prédio diferente e simplório, incrustado no meio dos ares culturais da cidade. Parece que faz tanto tempo já. Como está? Com quem está? Está vivo? Está trabalhando? Está amando? Está vivendo? Está respirando? Eu estou, então provavelmente deve estar também. É a lei da vida. Ou vive ou vive, enquanto há vida, obviamente.
No entanto, a lembrança não vem acompanhada de lamento. Foi o melhor que fiz. Que fizemos. Que desabafamos. A separação é o pulo para o crescimento (mas que papo de divorciado é esse? Você nunca se casou!). Enfim, dê o pulo antes que o pulo se dê por conta própria.
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