Aquele parece este dia em que tudo denota um marasmo tão tranqüilo e entediado que até o relógio se contorce de pavor das horas e do percorrer dos ponteiros, mesmo que eles existam apenas imaginariamente. Que saudade da presença física dos pobres ponteiros, que deixava mais clara a urgência das ações e o corre-corre de corpos se debatendo entre si nas ruas infestadas de piolhos e pestes. Eles estão nos lugares menos óbvios.
Despertou do sono dos justos e abriu os olhos para um dia ainda nublado e horripilantemente feio. Sua vontade era de voltar para a cama quentinha e aconchegante. Mas batiam lá fora na janela de forma insistente e insolente. Era a vida cobrando ação e mostrando que mesmo nos dias nublados é preciso levantar e ir debater-se nos cruzamentos empilhados de gente. Uma pessoa estava e andava em cima da outra porque não havia mais espaço. A Terra já era pequena e a viagem para outros planetas ainda não era acessível para todos.
Com os olhos lacrimejando de sono e cansaço, já não podia mais prestar atenção ao essencial do que pulava aqui e ali à sua frente e pedia clemência para que o deixassem em paz com sua melancolia. Queria meditar, meditar, meditar até o seu cérebro começar a ferver por dentro e fazer uma grande fogueira de São João. Mas já passou! E daí? Façamos outras festas, inventemos mais uma, afinal de contas a vida é uma festa e a festa representa a vida insaciável que há dentro de nós.
Tenho medo da auto-ajuda, das palavras de consolo, dos bons conselhos, dos falsos amigos, da maré cheia, do fogo abrasador do sol, do esplendor magnífico da natureza. Tudo isso porque sou só e pequeno, pequeno e despido de mim mesmo diante de julgamentos pérfidos e nojentos. A julgar pelos próprios julgadores o resultado do julgamento não poderia ser outro, mas apenas um só, dentre tantos outros sóis: foram condenados a trabalhos forçados até que conseguissem não apontar o dedo imundo para corações tão puros e leais à essência instalada ali desde os anos mais longínquos.
Falar é difícil, mais complicado ainda é ouvir. Nem todos têm esse dom, essa habilidade, esse arroubo de realização do imprevisto. Não é privilégio, é apenas sucesso daqueles que se propuseram a vencer barreiras que pareciam intransponíveis e puderam ver o mundo de outro ângulo, criando seu próprio panorama, se inserindo de uma vez por todas nesse universo abalável e inacabado de estações passageiras e sentimentos etéreos e eternos.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
O poeta
A poesia é conquistada ou faz parte dos dons instintivos? O poeta é construído ou constrói a si mesmo? A lua cria o próprio brilho ou ela já nasceu assim? Tudo o que morre nasce de novo para depois morrer e seguir nascendo infinitamente? A ardência faz perceber o quanto há de carne naquilo que será engolido tão rapidamente pelos vermes sem dentes e sedentos de comida fraca e olhos frescos.
A alegria de estar presente e onisciente faz parte de um panorama mais radical e personalizado das vidas perecíveis prostradas diante de altares de boas e vãs promessas.
O cabelo molhado é tão palpável e macio que torna todo antídoto uma fórmula óbvia de renascença e descrença no que é reverberado pelos ouvidos surdos e cegos. As unhas, os dedos, os pêlos, os falares já correspondem ao que foi imaginado e rabiscado no grande caderno dos desenhos não-artísticos e humanisticamente rasgados em tiras toldadas pela escuridão do entardecer tempestuoso.
Eu falo coisas que nem se podiam prever anos atrás, eu penso sem nem saber que estou pensando, sorrio sem ao menos notar o movimento dos lábios em direção a uma sonora e contagiante gargalhada. Mas o mais importante: eu sinto coisas que até o coração duvida, de tão intenso e desabalado que é.
A alegria de estar presente e onisciente faz parte de um panorama mais radical e personalizado das vidas perecíveis prostradas diante de altares de boas e vãs promessas.
O cabelo molhado é tão palpável e macio que torna todo antídoto uma fórmula óbvia de renascença e descrença no que é reverberado pelos ouvidos surdos e cegos. As unhas, os dedos, os pêlos, os falares já correspondem ao que foi imaginado e rabiscado no grande caderno dos desenhos não-artísticos e humanisticamente rasgados em tiras toldadas pela escuridão do entardecer tempestuoso.
Eu falo coisas que nem se podiam prever anos atrás, eu penso sem nem saber que estou pensando, sorrio sem ao menos notar o movimento dos lábios em direção a uma sonora e contagiante gargalhada. Mas o mais importante: eu sinto coisas que até o coração duvida, de tão intenso e desabalado que é.
domingo, 5 de outubro de 2008
Sonho socialista, marxista, esquerdista e outros istas...
Um dia eu sonhei que já não conseguia mais me fazer ouvir. Gritava, gritava e discursava com velhos discursos daqueles que ainda têm esperança de mudar alguma coisa nesse mundo tão desconjuntado.
Sim, eu consegui lembrar no outro dia desse meu sonho. Curioso isso. Quase nunca lembro.
Aos meus pés se desenhava uma favela, essa, aquela, não, aquela outra, era uma favela, mas não tinha barracos de madeira, mas ainda assim era uma favela.
Favela, lugar de desprivilegiados, daqueles que nada esperam e de muitos que só esperam, mas que felizmente têm alguns que não esperam e vão à luta, que ainda acreditam na luta, e também no sorriso de uma criança.
Mas eu sonhei! Sonhei que perguntava à todos os moradores daquela favela o que faziam eles levantarem todos os dias para ir trabalhar, apesar de todas as dores, de todo o sofrimento.
“O que mantém vocês de pé ainda?” Não tive respostas, só lacunas, só surdez, só murmúrios.
Lamentos e gritos de acomodados, mas em algum canto, em alguma viela daquele lugar eu ainda pude ouvir um grito de alguém que queria mudar a situação do lugar, levar cultura, levar lazer, levar uma nova perspectiva para aquelas pessoas sem horizonte, esquecidas à própria sorte.
Não, não era época de eleições, não tinha nenhum oportunista segurando crianças no colo naquele momento. Era alguém que já tinha sofrido muito, e que transformou sua dor em luta, em arma contra a exclusão.
No fim do sonho, descobri que não gritava sozinho, que eu podia contar com alguém, que não era só eu que queria mudar o mundo.
A minha voz não estava sendo ouvida naquele momento, mas o grito daquele ser de uma viela qualquer de qualquer favela dessa imensidão de desespero estava sendo ouvido e reverberava nos ouvidos daqueles outros, que naquele momento passaram a tomar consciência pouco a pouco do seu papel e da sua importância para transformar a si próprio e o cenário ao redor.
O sonho não terminou. Continuei e continuo vivendo ele. Podem me chamar de socialista, protetor de pobres e oprimidos, reacionário, marxista, baderneiro, esquerdista.
Eu entendo a necessidade de se criar rótulos. Eu aceito todos eles. Contato que me deixem continuar sonhando com aquela voz transformadora, inquietante e conscientizadora.
E você, quer vir e ouvir comigo essa voz?
ps.: devaneios inspirados em algum tempo atrás [ou à frente] quando a sensibilidade esperançou grandes mudanças.
Sim, eu consegui lembrar no outro dia desse meu sonho. Curioso isso. Quase nunca lembro.
Aos meus pés se desenhava uma favela, essa, aquela, não, aquela outra, era uma favela, mas não tinha barracos de madeira, mas ainda assim era uma favela.
Favela, lugar de desprivilegiados, daqueles que nada esperam e de muitos que só esperam, mas que felizmente têm alguns que não esperam e vão à luta, que ainda acreditam na luta, e também no sorriso de uma criança.
Mas eu sonhei! Sonhei que perguntava à todos os moradores daquela favela o que faziam eles levantarem todos os dias para ir trabalhar, apesar de todas as dores, de todo o sofrimento.
“O que mantém vocês de pé ainda?” Não tive respostas, só lacunas, só surdez, só murmúrios.
Lamentos e gritos de acomodados, mas em algum canto, em alguma viela daquele lugar eu ainda pude ouvir um grito de alguém que queria mudar a situação do lugar, levar cultura, levar lazer, levar uma nova perspectiva para aquelas pessoas sem horizonte, esquecidas à própria sorte.
Não, não era época de eleições, não tinha nenhum oportunista segurando crianças no colo naquele momento. Era alguém que já tinha sofrido muito, e que transformou sua dor em luta, em arma contra a exclusão.
No fim do sonho, descobri que não gritava sozinho, que eu podia contar com alguém, que não era só eu que queria mudar o mundo.
A minha voz não estava sendo ouvida naquele momento, mas o grito daquele ser de uma viela qualquer de qualquer favela dessa imensidão de desespero estava sendo ouvido e reverberava nos ouvidos daqueles outros, que naquele momento passaram a tomar consciência pouco a pouco do seu papel e da sua importância para transformar a si próprio e o cenário ao redor.
O sonho não terminou. Continuei e continuo vivendo ele. Podem me chamar de socialista, protetor de pobres e oprimidos, reacionário, marxista, baderneiro, esquerdista.
Eu entendo a necessidade de se criar rótulos. Eu aceito todos eles. Contato que me deixem continuar sonhando com aquela voz transformadora, inquietante e conscientizadora.
E você, quer vir e ouvir comigo essa voz?
ps.: devaneios inspirados em algum tempo atrás [ou à frente] quando a sensibilidade esperançou grandes mudanças.
sábado, 4 de outubro de 2008
Hoje
Papéis e objetos que são apreendidos e observados com muita atenção e interesse nunca podem ser transmutados e traduzidos em emoções, pois eles são uma espécie de documentação e fazem parte das regras e obrigações impostas por nós e pelos outros. Ah, os outros, esses seres quase sempre inomináveis mas tão presentes quanto a ventania que bagunça nossos cabelos e nos tira de nossos corriqueiros e confortáveis lugares.
O auto-retrato foi composto por arroz, feijão e muita carne, muita carne. E também tinha ossos, tadinho, era tão magro, tão magro que todos pensavam que não havia comida em sua casa. Mas o que tinham a ver com isso também? Cada um por si e o famoso Deus por todos. Este é o consolo, espere sentado para não cansar e sempre haverá alguém fazendo por você, movendo as palhinhas, movendo as marionetes lá de cima. É isso aí, se conforme e não viva. Desperdice os poucos e frágeis anos que tem pela frente, afinal de contas, a vida foi feita para ser acorrentada, ou não?
O abandono é a pior das ações. Dos outros também, mas principalmente de si mesmo. Uma vez, vi uma mulher totalmente despida de seu próprio eu, de sua própria vontade, de suas próprias emoções e afetos. Ela era mais um ser andante por esse mundão perdido e perdedor de almas. Mas o que é a alma senão um amontoado de energias dispostas aleatoriamente num espaço físico que não se pode quantificar e delimitar?
O poder emana dos poros mais entupidos que possa existir. Pelo menos, era assim que ditava a velha utopia que costumava impregnar nas mentes mais esperançosas e sonhadoras. A diferença estava no porte ser legal ou não, permitido, liberado, atravancado ou comungado por meias palavras que não conseguiam transmitir o absurdo que é viver. Mas como é bom este absurdo, um dos absurdos mais lindos e intensos que já vi e senti.
O auto-retrato foi composto por arroz, feijão e muita carne, muita carne. E também tinha ossos, tadinho, era tão magro, tão magro que todos pensavam que não havia comida em sua casa. Mas o que tinham a ver com isso também? Cada um por si e o famoso Deus por todos. Este é o consolo, espere sentado para não cansar e sempre haverá alguém fazendo por você, movendo as palhinhas, movendo as marionetes lá de cima. É isso aí, se conforme e não viva. Desperdice os poucos e frágeis anos que tem pela frente, afinal de contas, a vida foi feita para ser acorrentada, ou não?
O abandono é a pior das ações. Dos outros também, mas principalmente de si mesmo. Uma vez, vi uma mulher totalmente despida de seu próprio eu, de sua própria vontade, de suas próprias emoções e afetos. Ela era mais um ser andante por esse mundão perdido e perdedor de almas. Mas o que é a alma senão um amontoado de energias dispostas aleatoriamente num espaço físico que não se pode quantificar e delimitar?
O poder emana dos poros mais entupidos que possa existir. Pelo menos, era assim que ditava a velha utopia que costumava impregnar nas mentes mais esperançosas e sonhadoras. A diferença estava no porte ser legal ou não, permitido, liberado, atravancado ou comungado por meias palavras que não conseguiam transmitir o absurdo que é viver. Mas como é bom este absurdo, um dos absurdos mais lindos e intensos que já vi e senti.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Reencontros
O inesperado pode acontecer quando muito se espera, mesmo que seja inconscientemente. As pessoas passam muitas e muitas, mas depois elas podem voltar, de uma hora para outra, com muitas novidades, com novas vidas, experiências, sonhos, ideais.
O passado é estampado no velho rosto que significa toda uma amizade, um tempo com alegrias e desalentos. Realizações talvez, mas apesar de tudo essas pessoas ficaram de alguma forma, fizeram diferença. Quase ajudaram a ceder o silêncio que se abatia sobre a minha boca e emoções. Naquela época, o olhar era triste e vago, como tudo o que habitava no corpo. Porém, como ninguém consegue sobreviver assim como um gato sem dono, era preciso criar contentamentos.
Alguns contribuíram: uns com muito desajeitamento, outros sem saber ao certo que ação estabelecer para furar o bloqueio que havia. Muitos pensamentos passaram de relance, muitas lembranças voltaram à tona, mas o melhor mesmo foi perceber que o tempo é implacável e que ele não quer nem saber: ou você vive ou ele te engole com toda sua característica pressa.
Dedico estas palavras a tudo aquilo que já foi, mas que de certa forma ainda é, pois permanece alterável e suscetível às mudanças de anseios. Com seu desajeito engraçado e inocente, como se nunca tivesse deixado de ser criança, disse: “Li umas coisas do Dalai Lama e descobri que passamos muito tempo preocupados com o futuro e esquecemos de viver o presente”. Ao ouvir isto, lancei um olhar e comuniquei sem palavras toda a minha gratidão por compartilhar aquilo comigo.
Terno encontro e reencontro. Em cada um deles, a surpresa de descobrir uma nova faceta nunca antes explorada.
O destino são escolhas incessantes tomadas a cada piscar de olhos.
O passado é estampado no velho rosto que significa toda uma amizade, um tempo com alegrias e desalentos. Realizações talvez, mas apesar de tudo essas pessoas ficaram de alguma forma, fizeram diferença. Quase ajudaram a ceder o silêncio que se abatia sobre a minha boca e emoções. Naquela época, o olhar era triste e vago, como tudo o que habitava no corpo. Porém, como ninguém consegue sobreviver assim como um gato sem dono, era preciso criar contentamentos.
Alguns contribuíram: uns com muito desajeitamento, outros sem saber ao certo que ação estabelecer para furar o bloqueio que havia. Muitos pensamentos passaram de relance, muitas lembranças voltaram à tona, mas o melhor mesmo foi perceber que o tempo é implacável e que ele não quer nem saber: ou você vive ou ele te engole com toda sua característica pressa.
Dedico estas palavras a tudo aquilo que já foi, mas que de certa forma ainda é, pois permanece alterável e suscetível às mudanças de anseios. Com seu desajeito engraçado e inocente, como se nunca tivesse deixado de ser criança, disse: “Li umas coisas do Dalai Lama e descobri que passamos muito tempo preocupados com o futuro e esquecemos de viver o presente”. Ao ouvir isto, lancei um olhar e comuniquei sem palavras toda a minha gratidão por compartilhar aquilo comigo.
Terno encontro e reencontro. Em cada um deles, a surpresa de descobrir uma nova faceta nunca antes explorada.
O destino são escolhas incessantes tomadas a cada piscar de olhos.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
O caso das bolsas
Quem foi que trocou as bolsas? Quando? Foi um sonho? Não me lembro! A pergunta me martelou insistentemente no começo da tarde de hoje, mas até agora o enigma permanece tão misterioso e desconhecido quanto a face nunca vista nem tocada pelos mares e maresias de pecados contestados nos tribunais de excepcionais expurgos.
Um mundaréu de opiniões e opções se adensa velozmente, competindo com o desejo ininterrupto de dizer tudo aquilo que não foi dito, renegado às reprimendas bobas de um ser que sonhava ser elevado ao mais puro das moradas celestiais e desregradas.
Inconfesso. Essa palavra insistiu em sair desde o começo. Não pude mais segurá-la, conter a sua vontade própria de se criar e se jogar no mundo, de se transformar em algo concreto e passageiro. Porque ela nasceu e morreu ao mesmo tempo, num rápido instante que nenhum cronômetro de toda a face da Terra poderia captar.
Quantificar é separar através de baias tudo aquilo que pode ser misturado e devaneado em conjunto, em rodas, em cantigas. Em cirandas ficou ferozmente incandescido de luzes estelares e repentinas. Tudo era um repente estranho e desajeitado, um momento do não-momento, do não-tormento, do não-alento.
A frondosa fronte fresca fundiu-se ao fatal destino destampado do desejo dilacerado e endiabrado no corpanzil corcovado diante de dados e destinos. Cidade.
Ah, até o presente instante não faço a mínima idéia de como resolver o mistério das bolsas.
Um mundaréu de opiniões e opções se adensa velozmente, competindo com o desejo ininterrupto de dizer tudo aquilo que não foi dito, renegado às reprimendas bobas de um ser que sonhava ser elevado ao mais puro das moradas celestiais e desregradas.
Inconfesso. Essa palavra insistiu em sair desde o começo. Não pude mais segurá-la, conter a sua vontade própria de se criar e se jogar no mundo, de se transformar em algo concreto e passageiro. Porque ela nasceu e morreu ao mesmo tempo, num rápido instante que nenhum cronômetro de toda a face da Terra poderia captar.
Quantificar é separar através de baias tudo aquilo que pode ser misturado e devaneado em conjunto, em rodas, em cantigas. Em cirandas ficou ferozmente incandescido de luzes estelares e repentinas. Tudo era um repente estranho e desajeitado, um momento do não-momento, do não-tormento, do não-alento.
A frondosa fronte fresca fundiu-se ao fatal destino destampado do desejo dilacerado e endiabrado no corpanzil corcovado diante de dados e destinos. Cidade.
Ah, até o presente instante não faço a mínima idéia de como resolver o mistério das bolsas.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Mais uma fantasia
Parece mentira, mas é tão real quanto às percepções construídas em relação ao mundo externo e controverso. O fato é que eu mergulho em mais uma de minhas fantasias, gostosas e enganosas, cheias de expectativas e medos. Medo do incerto e da decepção.
Mas para quê que se vive? Para ficar se escondendo num monte de receios e não-me-toques?
Não! Eu quero a vida, mesmo com todo os seus tapas e cuspidas. Pode cuspir e debochar. O meu deboche será ainda maior, em cada levantar e prosseguir viagem. Só assim poderei sentir dever cumprido para alcançar não sei o quê, não sei para quê. Só sei que é preciso alcançar e que nunca saberemos o que é buscado, o que está no fim da outra ponta do arco-íris.
Plint. Splot. Desliga. Dorme.
Só não ronque.
Mas para quê que se vive? Para ficar se escondendo num monte de receios e não-me-toques?
Não! Eu quero a vida, mesmo com todo os seus tapas e cuspidas. Pode cuspir e debochar. O meu deboche será ainda maior, em cada levantar e prosseguir viagem. Só assim poderei sentir dever cumprido para alcançar não sei o quê, não sei para quê. Só sei que é preciso alcançar e que nunca saberemos o que é buscado, o que está no fim da outra ponta do arco-íris.
Plint. Splot. Desliga. Dorme.
Só não ronque.
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