sábado, 29 de novembro de 2008

Destino

Uma aranha. Uma pequena aranha que tentava desesperadamente subir pela parede branca. Ela não conseguia de jeito nenhum. Mas tentou por diversas vezes. Fiquei espantado com sua persistência. Será que ela estava com medo de mim? Provavelmente. Mas eu fiquei ali, observando-a. Claro que pensei em matá-la, mas tive pena. Ela também deve ter tido pena de mim, que fiquei ali igual bobo olhando-a.

Mas será que o destino quis que eu a percebesse ali naquele cantinho? Será que o destino é tão poderoso assim? Pra começo de conversa: ele, por acaso, existe? Quem foi que disse? Quem o nomeou? Eu que não. Mas realmente acho curioso certos encontros nessa vida. Falo de alma mesmo, não encontros físicos. É preciso perceber além.

Vamos beber?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Rosa

Eu me emociono mais sozinho do que coletivamente. Individualista? Não! Apenas me sinto à vontade comigo mesmo para determinadas situações, e ainda assim é bem complicado. Posicionamento. É preciso tomar um lado e não ficar em cima do muro. É preciso buscar sempre, aproveitando tudo da melhor maneira, mesmo que a melhor maneira não seja a desejada e a esperada pelos outros e outros.

Risos e êxtase. Assim foi tudo. Tudo tão maravilhoso. Maravilhado pelas luzes. Elas me atingiram e emocionaram. A multidão também. O sonho realizado. De muitos. O começo e a chave de ouro. O futuro e o agora. A Rainha.

A extinção de mim mesmo só pode provocar um terremoto ou maremoto, ou ainda um grande vendaval. Ou talvez apenas uma neblina que vai cobrindo o pequeno vilarejo distante dos grandes prédios. Os seus moradores nunca viram construções tão grandes. A sua grandiosidade foi direcionada para as emoções do dia-a-dia.

Merecimento. O roubo do merecido suor. A apoteose de mostrar aquilo que se ama, aquilo que transforma e comove até o mais reles mortal anti-social e anti-emocional. Você me acha emocional?

Não. Apenas a sensibilidade que aflora diariamente em mim não pode ser controlada nem reprimida. Ela existe por ela mesma, independente da minha vontade.

Esplendor de viver. Eu quero comprar o algodão doce para adoçar ainda mais o meu dia. Quero um rosa. Ou uma rosa?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Continuação...

É a continuação. Não da mesma coisa de ontem, dos mesmos sentimentos e emoções. É uma continuação diferente, pois sou totalmente diverso do que fui ontem e, ainda, anteontem. Perder a noção sobre o que sinto é tão bom às vezes. Mas os arrepios que me sobem desesperadamente desde o dedão do pé são históricos, são belos, são extremamente necessários.

A história ou a História? Os dois. Eu faço parte, eu me incluo nela, mesmo com todos os contras e todos os hipócritas. Balanço. Balanceio. Balão. Amanhã é sexta-feira e eu já serei um novo homem.

A oportunidade não é fruto do acaso, de forma alguma. Talento? Também não sei. Eu diria que é fruto da competência, do esforço, do suor. Lições que aprendi desde cedo em casa, e que carrego para aonde quer que eu vá. Há pouco tempo comecei a perceber a importância delas em minha vida, a tradução delas nas minhas ações e nos meus quereres.

O descarado do tempo não passa. Esse enrolão! Ele está adiando o máximo que pode a minha euforia e a redenção de uma noite esplêndida e já inesquecível, mesmo não tendo sido realizada ainda.

Deixa eu ir conter outros espaços. O mundo talvez. Preciso respirar profunda e descontroladamente.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Orelha ardente

Banhado com as próprias lágrimas. E a orelha esquerda arde. E a expectativa aumenta, se a agiganta ainda mais do que minhas vontades incontroláveis. As mãos tremem e não sossegam. O pensamento fica tão inquieto que até se esquece de pensar. Nervosismo. Dor de barriga. Dor da espera.

Aguardando sempre para ser ardente no grau máximo do fogaréu que pestaneja em meus finos dedos potentes e delicados buscando sempre as maravilhas singelas de existir num mundo tão tão.

Escrever me acalma e me transborda, ao mesmo tempo. Às vezes os sentimentos se separam, mas na maior parte do tempo, como agora, eles se engalfinham e lutam para obter a primazia sobre mim. Incontroláveis insanos.

Tudo extravasa por aqui pelo meu corpo. Parece que há um monte de formigas na cadeira. Elas não me deixam tranqüilo. Essas ‘bolidoras’ de almas! É preciso ter alma para percebê-la?

Ah, essas linhas já não me são suficientes, por hoje.

Eu quero cantar e me emocionar.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Impulsivo

O excesso de impulso provoca uma ebulição aqui dentro e eu já quero sair para o mundo, correr para um lugar onde só eu me entendo. Não é possível. Minha vontade era de sair quebrando tudo. Mas peraí? E daí?

E daí? Sai da frente, senão eu quebro mesmo. Brincadeira. Já relaxei.

De qualquer forma as coisas acontecem intensamente e é preciso não perder a oportunidade de continuar viajando no maravilhoso sonho, na carona da calda do cometa. Ou meteorito? Já não lembro mais.

Sério. Levo a vida a sério ou ela é quem me leva? Já não sei se sei e já não estou. De repente, trepo na árvore a abraço freneticamente. Fico ali parado, sentindo a vida brotar dela e de mim. É uma troca. Infinita e profícua.

Respirar fundo. Isto está tão difícil aqui nesses prédios sufocantes. Na minha pequena sala que tolda os meus movimentos também.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Um quase-seqüestro

A chuva chovia intensamente. Hoje, não naquele dia. No entanto, o dia naquele dia estava nublado. Pela manhã, a mãe saiu com seus três filhos em direção à escola. Na volta para casa já teria que cuidar de um monte de crianças. Era uma espécie de babá. Era o que fazia para sobreviver nesta grande cidade, depois de migrar de lá dos cafundós da Bahia. Porém, era feliz. Tinha quatro filhos lindos. Um tinha ficado em casa, pois ainda era muito pequeno para freqüentar a escola.

Uma inescrupulosa mulher que saltou de um carro tentou roubar sua felicidade. O garotinho estava bravo por algum motivo com sua querida mãe e apertou o passo para não andar junto dela. A vil mulher que parou o carro e caminhou em direção ao menino tinha um único objetivo: raptá-lo. Mas que maldade! Tamanha imbecilidade não deveria nunca ser perdoada.

Mas ela não contava com o instinto materno, que apitou desesperadamente naquele momento. A mãe, ao observar e prever o rapto de sua alegria, correu o mais depressa que pôde e agarrou sua cria. A infame mulher, que nunca deve ter tido a honra de ser mãe, voltou para o carro e foi embora para sempre. Ou pelo menos até encontrar uma outra oportunidade como essa.

O garotinho ficou como em estado de choque. No momento não entendeu muito bem o que lhe aconteceria. Mas depois a ficha foi caindo levemente e de forma contundente. Ele se arrependeu por seu temperamento forte e perdoou a mãe completamente. As lágrimas rolaram por dentro. A mãe, por sua vez, soltou muitas broncas e apontou o dedo para seu querido filho, enquanto o apertava nos braços, dando graças por ter evitado duramente que a roubassem a sangue frio.

A mamãe e o pequeno filho continuam felizes. Desde aquela época, não houve nenhuma outra tentativa de roubo. É claro que a família já passou por outros perrengues, mas aquela lembrança, como poucas, ficou marcada para sempre na memória desconexa e irregular do pequeno garotinho.

Ele agradece muito também por não ter tido a vida raptada de forma tão insuportável. Só não sabe muito bem a quem agradecer. Talvez a ele próprio, por ter sido abençoado [por alguma força disforme e gigante] e presenteado com uma mulher tão corajosa e ferina: a mãe que estava disposta a dar a vida por sua cria.

domingo, 23 de novembro de 2008

Flashes

Luzes piscando. Muita fumaça e observação. Os corpos se batem, se mexem e não se cansam de balançar ao ritmo da música. Está tudo muito cheio e é possível ver alguns detalhes no meio daquela confusão generalizada. Um rapaz fecha os olhos e em seguida atira para todo lado. Devia ser um caçador. Ou não. Algumas mãos apontam para o alto, para não sei onde. Estalagmites [ou estalactites] pendem do teto. O ser viajante transborda o olhar para todos os lados...

O meu pensar é um ato constante de escrever mesmo sem papel nem um teclado de computador.